Desfibrilador
Quando éramos crianças, costumávamos passar nossos verões na casa de praia dos meus avós. Uma casa simples de madeira, construída com muito esforço por uma taxista e uma enfermeira, num pequeno balneário do Rio Grande do Sul. A casa segue lá, e ainda, volta e meia, nos encontramos em um ou outro final de semana para deitar na rede e jogar conversa fora numa roda de chimarrão. Naquela época, as casas não tinham muros ou cercas, as portas da vizinhança estavam sempre abertas, e ninguém sabia ao certo quem era filho de quem, porque a gurizada se misturava ora na casa de um, ora na casa de outro. Fazíamos tudo em turma, por toda noite, até a meia-noite! As bicicletas zuniam de lado a lado, por todo dia, e as fronteiras que tínhamos ao longo do ano, protegidos pelas grades da cidade, eram expandidas até quase o infinito para quem tinha oito, dez ou quatorze anos. Eis que numa tarde qualquer, pedalávamos rumo a mais uma aventura, e disputávamos sempre quem era o mais rápido, ou o...