Carta ao Quintana
São Paulo, 12 de maio de 2020. Quintana, Escrevo-te numa manhã estranha, desde a capital paulista. Por sorte, não viveste os tempos que estamos experimentando. Estarias isolado, sem poder circular na Rua da Praia, ou fumar teus cigarros na praça. A despeito do que poderias imaginar, estou em perfeito estado de saúde, e penso que onde quer que estejas, também, já que estas preocupações prosaicas já não são tuas. Li o que escreveste (ou disseste), sobre o fato de não teres jamais casado: “ prefiro ser a esperança de muitas, do que a desilusão de uma só !”. Como sempre, espetacular, lindo, sábio, prudente. E covarde! Covarde, Mário! Arrogante, Mário! Para um poeta que descreveu tão bem amores e inquietudes da alma, como teus contemporâneos, fostes machista, Mário! Sim, eu sei! É de uma ousadia absurda contestar-te, o saudoso e imortal Mário Quintana! Mas, tenho meus argumentos. O primeiro é quanto à covardia. Esgueirar-se das vicissitudes do amor por medo de de...