Nos vemos a noite!


À noite, quando o mundo silencia, e o céu é mais escuro, a fina névoa do final de outono se ergue sobre o asfalto e, por entre o concreto gelado, o ar frio que precede o inverno parece ser ainda mais sombrio.

Olho pela vidraça e as luzes fracas da metrópole se distorcem na condensação da janela. Parece quem nem mesmo as almas e os fantasmas da noite circulam pela cidade.

Meus pensamentos vagam ora aqui, outra ali, percorrendo a linha fina do tempo, sem que eu consiga definir o que é lembrança e o que é desejo. Sinto o hálito alcoolizado de um licor que eu não tomei. Sinto o calor da pele que não está aqui. Minhas mãos querem te tocar e encontram apenas o vazio sobre os lençóis.

O tempo que se arrasta lentamente nessa noite, e escorrerá cruelmente entre os dedos quando estivermos juntos. A única constante nesta equação exponencial de sensações, portanto, é, mais uma vez, a saudade.

Talvez, saudade de coisas que não foram experimentadas, talvez até do que não foi meu. Incógnitas. Talvez na matriz quadrada de múltiplas variáveis poder-se-ia buscar alguma solução.

Só esta noite fria, e este ar gelado, podem fazer minha mente estender um véu entre a álgebra e a filosofia.

São estes olhos e olhares, que eu não tenho aqui, e o calor da tua pele, que não me aqueceu nesta noite, que me fazem enlouquecer. E se a felicidade é viver um instante que não se quer que acabe, a tristeza, é a angústia para que este outro instante acabe logo!

Nos vemos à noite Baby!

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