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O frio

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Eu era um jovem convidado numa casa rural nos campos de cima da serra, no interior do Rio Grande do Sul. Era julho, um inverno rigoroso. Tudo que se enxergava até o horizonte estava vestido de branco. Não era neve. Era geada. Um vento em particular, o Minuano, típico daquelas bandas, assoviava e cortava. Dentro da casa, as paredes grossas, centenárias; a velha chaleira de ferro repousava no fogão a lenha, servindo para aquecer a água com que serviríamos o mate amargo, que atenuava o frio dolorido que subia pelos calcanhares, como que se percorresse cada osso. Implacável. O frio era implacável. Na sala, uma grande lareira retinha chamas insuficientes para aquecer o espaço, mesmo com janelas fechadas. Sobre a pele, desacostumada das agruras do campo ou do tempo, várias camadas: ceroula, camiseta, camisas, blusas, meias, calças, jaquetas, botas, e sobretudo um grosso pala! Frio. Muito frio. Outro dia, senti um frio bem menos intenso, suficiente para me fazer lembrar daquele dia ...