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Mostrando postagens de dezembro, 2025

59 dias - Feliz Ano Novo

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Meu filho, Hoje é o último dia do ano de 2025. Cheguei mais cedo à empresa e reservei essa meia horinha para começar esta série de cartas endereçadas a ti. Talvez outras pessoas venham a ler; talvez não. Tua mãe, certamente, lerá. Não sei exatamente o que nos espera no futuro. Talvez eu leia algumas delas ao lado da tua cama, para embalar o teu sono. Talvez eu apenas as guarde numa cápsula do tempo, para que, mais velho, possas lembrar do teu pai. Começo a compreender melhor a paternidade à medida que a tua presença se torna mais real no meu dia a dia. É uma sensação estranha — como se tu estivesses, neste momento, em outro plano. Aqui, enquanto escrevo, é como se tu me ouvisses. Como se escutasses meus pensamentos. Ingenuamente, outro dia, falei para a mamãe: — fala pro Mateo se comportar. (Risos). Ela me respondeu: — fala tu, ele está aí na barriga, já consegue ouvir! Foi ali que me dei conta: tu estás aqui mesmo. Mas não era exatamente sobre isso que eu queria falar. Eu diz...

60 dias - Contagem Regressiva

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Meu filho, Estou tentando organizar meus textos, escritos ao longo dos anos. Não é uma tarefa fácil. Como já registrei algumas vezes, meu propósito ao escrever sempre carregou uma inutilidade intrínseca: escrever, para mim, é terapia, reflexão, um modo de conversar comigo mesmo. Talvez por isso eu nunca tenha tido compromisso com uma sequência estruturada, periódica ou sequer organizada. Tenho escrito por amor à própria escrita — e por diversas inspirações. A principal, e a mais recente, é a tua mãe: minha linda mulher, minha princesa (no melhor sentido possível), ainda que ela tenha escolhido se relacionar com alguém da plebe. Ela me deu não só uma relação de amor e incondicionalidade, acolhendo meus vícios e virtudes, mas também me deu o presente de uma família. Quando casamos, já havia duas crianças que não são meus filhos, mas são meus meninos também. São marcas permanentes que deixaremos uns na vida dos outros. E eis que, neste ano, surgiu um novo amor. E foi por um home...

Marés

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Há momentos na vida em que somos arremessados por um tsunami. Em outros, apenas tocados por uma leve marola. Em ambos os casos, existe um oceano de emoções no qual, de uma forma ou de outra, acabamos mergulhando. Ela entrou na minha vida como ondas na areia, que vêm e vão. A água sob os pés descalços nos provoca a fugir… ou a mergulhar. Eu fugi. E o mar recuou. A praia virou deserto. Mas o mundo gira, as marés mudam, tempestades surgem, terremotos acontecem. E eis que aquele recuo do mar preparava o tsunami. Avassalador. Nada seria como antes. E tudo mudou. Outra vida surgiu. Nunca imaginei que, depois das tempestades e dos abalos, eu seria arremessado por um oceano de amor. E ele não veio só: trouxe outros amores, nossos meninos. Eles preenchem a nova casa, os novos dias, a nova vida. Uma vida incrível, cheia de possibilidades e descobertas. E o mundo girou de novo. Depois de algumas estiagens, um novo oceano se anuncia — a quem demos o nome de Mateo. E tudo se faz novo. D...

Quilometragem

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Pai, Não tenho certeza de qual é a minha primeira memória. A primeira, de verdade. Mas, desde lá, tu só ficaste mais jovem. Eu enxergo como velho quem é mais velho do que eu. Em 1979, no meu primeiro aniversário, tu eras 2.500% mais velho; hoje, apenas 50%. Portanto, para mim, cinquenta vezes mais jovem. E, apesar da distância, tenho me sentido mais perto. Tanto por estarmos atravessando tempos semelhantes na travessia da vida, quanto pela minha maior capacidade de reconhecer em mim características tuas. São essas características que desejo que o Mateo também tenha. Eu não conseguirei transferi-las de forma fiel, nem com a mesma qualidade. Por isso, preciso que tu estejas conosco. Até que teu neto tenha tanto de ti quanto eu tenho. Então, preparem-se — tu e a mãe — para aumentar a quilometragem e viver muito. Feliz aniversário, Veinho. Te amo.