Teddy


Fazia já algum tempo que não escrevia em caráter terapêutico. Hoje, precisei fazer isso, de novo.
Um cachorro, não é só um cachorro!
Posso assegurar, ninguém consegue ser imune ao amor incondicional de um cãozinho.

Não importa a raça, não importa como ele chegou. Não importa se você briga, se você ralha!... Ele vai lhe esperar aos pulos, com rabo abanando, como se chegasse a própria luz do sol. Ele quer estar como você, não importa o que você faça! Não importa se você comete atrocidades, se você é bom ou mau, feio ou bonito, gordo ou magro! Um cãozinho quer estar com você! As mágoas de um cachorrinho somem quando você volta! Isto é incrível.

Eu estava "fazendo hora" num shopping, em outra cidade. Havia uma feira de filhotes. Um pequeno Yorkshire pulava com outros cãezinhos. Era o mais alegre, esguio, parecia um pequeno cavalo de raça.

Tive que subornar o criador para tirá-lo dos braços de uma menina. Aquele rapazinho já era nosso.

Viajei durante a noite com aquela “pequena porcaria” no carro. Coloquei a pequena cama forrada de jornal no assoalho ao meu lado. Volta e meia, acendia a luz interna para ver como ele estava. Na maioria do tempo, olhava para mim com uma cara de assustado. Acabou fazendo xixi, se encolheu em 10cm secos, e parece até que estava esperando eu ligar a luz para eu ver aquela cara de quem fez “arte”. 

Naquela época tínhamos casado havia poucos meses. Eram 3 da manhã quando a acordei com o “presente” vivo. Acho que ela gostou. No dia seguinte, escolhemos o nome: Teddy (com dois "dês" e ípsilon). Tinha começado nossa história com este queridão de quatro patas!

Lá se foram 15 anos de alegrias e algumas preocupações. Sabe, o Teddy foi um sobrevivente. Não tínhamos a menor noção de como cuidar de um pequeno cãozinho. Melhor, eu não tinha.  Um dia, recebo uma ligação aos prantos. Cheguei em casa e não sabia quem tremia mais. Intoxicação alimentar. Alguns dias de soro. Nenhum cachorro de pequena raça conseguiria sobreviver aos chocolates que demos para ele. O Teddy sobreviveu.

Bom, ele foi um guri esperto. Houve o dia em que deixamos sobrecoxas de frango na mesa da cozinha, e adivinhem, ele subiu na cadeira, depois na mesa, abocanhou um pedaço de frango quase do tamanho dele, e fugiu pra baixo de uma cama! Um larápio!

Ensinamos ele a subir na cama, montamos uma escala improvisada com pufes e almofadas, e foi assim que ele começou a nos acordar com lambidas. Também, provocamos ele sempre que estava com alguma coisa. O termo “vou pegar”, vinha respondido com rosnadas e tentativas de mordidas de brincadeira. Tenho certeza que nem ele acreditava que iria mesmo nos morder! Ele não seria capaz de nos morder! Embora tenha nos mordido, mas, só quanto tentamos dar remédios horríveis goela abaixo!

Ele também gostava de ir “levar o lixo”. Em uma das últimas vezes que fizemos isso, ao abrir o elevador, dois cachorros maiores, que já estavam por lá, reagiram à provocação daquele baixinho metido. Tomou um laço e fez xixi ali mesmo! De susto! Coitado, ele sempre se achou maior do que era.

Sabe, ele não tinha uma saúde de ferro.  Na verdade, depois de tudo que fizemos quando ele era filhote, até que ele aguentou bem.  Teve alergias, e uma série de outras coisas, mas, normalmente ele estava “alegrinho”.

Era um barato esse nosso cachorro! Voltava do banho querendo se esfregar em tudo! No banco do carro, no sofá da sala. Ah, claro, um colchão sem lençol. Acho que nada poderia ser mais divertido que um colchão sem lençol.

As vezes parecia meio maluco, “cavava” paredes, frestas da cama, e sobretudo, me acordava querendo subir quando o despertador falhava. É, o Teddynho não perdia a hora. Era um brincalhão. Ossos escondidos pela casa, e biscrok (enquanto podia comer biscrok).

Fazia um tempo que não o via. Desde que nosso casamento acabou, a “guarda” e os cuidados do Teddynho não ficaram comigo. Eu não seria capaz de cuidar dele tão bem. Sempre recebi notícias, volta e meia alguma foto, algum vídeo. Semana passada soube que ele já não estava bem. Ontem, nos vimos pela última vez. Pude abraça-lo, apertar um pouquinho. Ele estava com dor. Não sei se ele me reconheceu. Não sei se lembrou de mim. Mas, foi bem especial, e sou muito grato por ter tido esta última oportunidade.

Infelizmente, ontem, autorizamos a "eutanásia" do nosso amiguinho, que, agora, já não está conosco. Ele, certamente, está muito bem, divertindo e fazendo companhia para alguém, em algum lugar. Talvez no "paraíso dos cachorros". Neste tempo em que esteve conosco, ele cumpriu qualquer missão que um cãozinho poderia ter. Foi um grande amiguinho! Grande parceirinho!
A vida do Teddy, e a presença dele por aqui não significava só a relação entre um homem, uma mulher e um cachorro, mas, era também uma ponte para uma história que se transformou, uma ponte para sentimentos, uma ponte para um tempo que foi bom. 
Não há espaço vazio onde tem um cachorro.






Fica bem “nosso veinho”! Onde quer que esteja!

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