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Mostrando postagens de abril, 2020

Dois pra lá, dois pra cá.

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A festa estava cheia. Quando entrei, do outro lado do salão, no meio de tanta gente, ela me olhou. Nos olhos. E sorriu. Sorriu e baixou a cabeça, deixando os cabelos caírem-lhe no rosto, simulando timidez. Era um evento corporativo, estávamos celebrando os muitos desafios superados ao longo daquele ano. Como sempre, eventos da empresa, também fazem parte do trabalho. Precisávamos circular, cumprimentar as pessoas, colegas em comum. Ela de um lado, eu de outro. Rastreávamos um ao outro. Percebia o olhar dela em mim, justamente porque não conseguia tirar os olhos dela também. Algumas fotos aqui, outras lá. Finalmente, uma nossa. Simulação de um encontro acidental, quando nos cruzamos no cenário adequado. “ Finger foods ”. Esse era o sistema do jantar. Ficamos próximos enquanto a cerimônia seguia seu protocolo. Trabalhamos juntos há muitos anos e sempre tivemos entre nós admiração e respeito. E confiança. Comentávamos e falávamos sobre tudo. E, como sempre, ela sorria. E o s...

Mais uma de páscoa

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A história da Páscoa que celebramos no domingo começa amanhã, Sexta-feira Santa, feriado para nós e para a maioria do mundo. Ela conta sinteticamente o seguinte: “Depois de ser julgado e condenado pelo ‘lavar de mãos’ de Pilatos, Jesus teve uma coroa de espinhos enterrada sobre a cabeça, foi açoitado e teve de levar a própria cruz ao monte onde seria executado aos olhos do povo. Até chegar lá, caiu por três vezes.   Foi pregado à cruz, e às três da tarde, o véu do tempo se partiu, e ele expirou pela última vez. Foi sepultado, e ao terceiro dia, cumpriu as escrituras, provou sua divindade, e mudou o mundo, tendo ressuscitado dos mortos.” Não importa se você acredita ou não nesta história. Isso é escolha de cada um. Uma questão de fé. Apenas permita-se a reflexão! A vida pode lhe enterrar espinhos, lhe açoitar, lhe fazer cair, inúmeras vezes. Mas, o sofrimento acaba! Mesmo que seja com a morte. E talvez seja importante deixar morrer algumas coisas mesmo, como a cr...

Páscoa Cristã

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De todos filósofos e pensadores, desde a Grécia antiga, até à modernidade, aquele que mais me influencia e serve de modelo e inspiração é Jesus Cristo. É interessante pensar que nenhum dos seus ensinamentos foi escrito por ele próprio. A doutrina cristã é atribuída a quatro evangelistas: João, Mateus, Marcos e Lucas, curiosamente, um médico grego que não teria conhecido pessoalmente Jesus. Mais do que isso, é possível que a história tenha sido adaptada ao longo destes 2 mil anos de quando se imagina que Jesus tenha vivido. Portanto, o que se conhece – e se aprende – são os relatos sobre alguém que sim me serve de modelo definitivo. Isso me torna um cristão, um seguidor de Cristo. Por outro lado, sempre me considerei um sujeito amante da razão e do pensamento. A mente humana é absolutamente incrível, seja na sua dimensão individual, ou enquanto pensamento coletivo. E por muitas vezes, confesso, nas minhas crises de fé, apesar de entender que a presença de Cristo no mundo é ci...

Bigorna do Além

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Há quem diga que a crise nos fortalecerá, que estaremos mais fortes quando a vida voltar ao normal. Depende. Essa crise colocou as pessoas em casa, tornou contratos mais lenientes e permissivos, e tem (atirem-me as pedras) tornado as pessoas mais “moles”. O estresse parece, mais uma vez, estar especialmente nos empresários, pequenos empreendedores e autônomos, que receberam uma bigorna na cabeça vinda do “Além”. Ou melhor, da China. Para empregados de grandes empresas e, sobretudo, funcionários públicos, parece-me que a crise tem sido uma grande possibilidade de férias em família. Obviamente, toda generalização tende a ser injusta, fato. Mas, ela é ilustrativa, provocativa, e, sobretudo, reflexiva. Penso que as empresas devem esticar a corda neste momento, aquecer as fornalhas, colocar seus empregados para estudarem, estabelecer metas ainda mais duras de formação e de conhecimento, fazer tudo que é importante, que normalmente fica para ser tratado apenas quando passa a ...

Dia dos bobos

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O ser humano é, talvez o mais irracional dos animais. Não há qualquer racionalidade em se instituir um dia para a “mentira”, ou talvez “o dia dos bobos”. Não seríamos só por isso, todos meio bobos? Toda a ação de qualquer outro animal tem a intenção deliberada de sobrevivência ou perpetuação da espécie. Nós, “ sapiens ”, não. Inventamos propósitos, criamos, construímos, matamos. Amamos. Só nós, humanos, estamos preocupados em ser felizes. E criamos um dia para a mentira. Talvez porque, de verdade, só a própria mentira seja verdadeira. Há, obviamente, um sentido todo filosófico para isso. Por exemplo, há quem confunda verdade com honestidade. Mas, não são sinônimos? Quem mente, é desonesto, ou só o mentiroso quem é? Onde está a verdade dessa afirmação? “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Palavras atribuídas a Jesus, o Cristo. Para o budista, Jesus é um mentiroso, assim como todos os cristãos. Ou teriam apenas uma verdade diferente da sua? Uma verdade diferente, não é tamb...