Dois pra lá, dois pra cá.
A festa estava cheia. Quando entrei, do outro lado do salão, no meio de tanta gente, ela me olhou. Nos olhos. E sorriu. Sorriu e baixou a cabeça, deixando os cabelos caírem-lhe no rosto, simulando timidez. Era um evento corporativo, estávamos celebrando os muitos desafios superados ao longo daquele ano. Como sempre, eventos da empresa, também fazem parte do trabalho. Precisávamos circular, cumprimentar as pessoas, colegas em comum. Ela de um lado, eu de outro. Rastreávamos um ao outro. Percebia o olhar dela em mim, justamente porque não conseguia tirar os olhos dela também. Algumas fotos aqui, outras lá. Finalmente, uma nossa. Simulação de um encontro acidental, quando nos cruzamos no cenário adequado. “ Finger foods ”. Esse era o sistema do jantar. Ficamos próximos enquanto a cerimônia seguia seu protocolo. Trabalhamos juntos há muitos anos e sempre tivemos entre nós admiração e respeito. E confiança. Comentávamos e falávamos sobre tudo. E, como sempre, ela sorria. E o s...