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"Radar Afetivo"

Numa era de textos em 140 caracteres, escrever tanto e esperar que alguém leia é quase ilusão. De toda forma, tenho dito que escrevo em caráter terapêutico, portanto, que seja. Uma tragédia nos comove, nos emociona.  Talvez, toda tragédia nos emocione. Especialmente quando envolve pessoas que estavam no nosso “radar afetivo”. Este termo não é meu, tomo a liberdade de usá-lo. Ouvi do Dr. Nestor Heim, vice-presidente jurídico do Grêmio, em entrevista à Rádio Gaúcha. Crédito concedido. Obviamente, refiro-me ao acidente aéreo com a delegação da Chapecoense, onde mais de 70 pessoas morreram, entre jogadores, jornalistas, assessores, auxiliares, enfim. Se, por ventura você estiver lendo isso daqui a 20 anos, essa contextualização talvez seja necessária. Dentre as vítimas estavam pessoas conhecidas pelo grande público. Estavam nas nossas casas aos finais de semana, através dos televisores. Pessoalmente, algumas estavam no meu “radar afetivo”. Amigos dos meus irmãos. Colegas. ...

Faça sua mágica!

Somos seres mágicos. Estou convencido disso. Na infância, lembro-me bem, feitiços em maçãs e poções mágicas garantiam sonos profundos, juventude eterna e muito mais. Contos de fadas. Será? Olheiras. Preciso dormir mais. Não dá. Faz menos de seis horas que deitei. Cruel despertar. Hoje não vou correr. Olho nos olhos do sujeito no espelho. Tomo uma bronca. Ele também está dividido entre a cama e a rua. Decidimos sair. Vamos de arrasto, como um alcoólatra fugindo do primeiro gole. Baby steps . Não preciso correr hoje, ainda discuto com o cara do espelho. Nova bronca. “Você já está de pé”, ele argumenta. Sou eu que decido! Estou no controle. Posso desistir. Fraco! Ele berra. Ok, os argumentos são fortes. Abraço o volante do carro, ainda brigando, e sigo até a beira do rio. Vou correr. Fones de ouvido. Preciso de incentivo. Play! Aumento o volume. Começo a caminhar.  Devagar, o tornozelo ainda dói, minhas pernas ainda doem.  Maldita fratura mal curada. Meus olhos ainda se r...

Esperança?

Já ouvi dizer-se algo do tipo: “ um ser humano pode viver até 3 semanas sem se alimentar, 3 dias sem beber água, 3 minutos sem respirar, mas, jamais, poderia viver 3 segundos sem esperança ”. Mas, afinal, sem esperança de quê? Esperança de um mundo melhor? De mais saúde? Mais dinheiro? Prosperidade? Um novo amor? Afinal o que esperamos? Esperança tem tudo a ver com “esperar”. Fico incomodado com “esperas”. Quando temos meramente “esperança” me parece que estamos entregando a alguém a realização de algo que podemos apenas assistir, torcer ou rezar, sem poder fazer nada a respeito. Pois bem, minha esperança já acabou faz tempo. Realmente não dá mais para esperar que as coisas aconteçam por ação do governo, por bom senso da sociedade, por um movimento aleatório, por sorte, ou por Deus. Qualquer (e todas) as coisas somente irão acontecer se ao contrário da esperança, houver tantos quantos forem os movimentos necessários para se cumprir um PROPÓSITO. Sim, talvez este seja o sen...

GESTÃO DE CRISE (Reflexão Incompleta)

Todos os problemas são menores quando vistos à distância; seja medida em milhas, metros, dias, ou anos. Sim, dias e anos são referências de tempo, e não de distância. Ainda assim, usualmente, a linha do tempo, nos permite colocar em perspectiva fatos bons e ruins, (e problemas), mais perto, ou mais longe. Nada disso repercute, ou implica, na gravidade ou importância de um problema.  Há o fato de que, talvez, ele não seja tão grande quanto pode nos parecer quando estamos tão perto, que nos tornamos o próprio problema. Muitas vezes, quem olha de fora, ou à distância, possa dizer algo como “era tão simples, tão fácil”. Em boa parte das vezes é uma afirmativa verdadeira. Passamos a viver emocionalmente uma ação, e quando isto acontece nosso foco, nosso ajuste de visão fica distorcido, e simplesmente não conseguimos achar uma saída. Há quem diga que para todo e qualquer problema há, pelo menos, uma solução. Para a maioria, há várias. Para boa parte, excelentes. Encontrar as mel...