Meu filho, Antes de ser teu pai, eu sou padrasto dos teus irmãos. Ou seja: quando a mamãe e eu ficamos juntos pela primeira vez, ela já tinha teus manos. Naquela época, o Brian estava com uns 9 anos, e o Lucca tinha apenas 2 aninhos. Duas crianças em momentos completamente diferentes — e que ocuparam grande parte da minha vida e do meu amor. Nesse tempo, eu vinha pra casa apenas nos finais de semana. E nem sempre os manos estavam, porque também passam dias com o papai deles. Cada um se relaciona comigo de um jeito. São pessoas distintas, com personalidades diferentes, histórias familiares próprias, em idades e fases absolutamente diferentes. O “maior”, como gosto de chamar o Brian no meu velho sotaque gaúcho, sempre teve um jeito mais “adulto”. Desde pequeno parecia compreender com clareza os papéis de cada pessoa na vida dele: o pai, a mãe, o avô… e o marido da mãe dele. Sempre respeitou isso. E, de algum modo, sempre protegeu sentimentos e fragilidades — mesmo aquelas que ningu...
Oi, Mateo, aqui quem fala é o mano bem mais velho… Você já deve estar cansado de ler as cartas tão melosas e emocionais do papai, então eu, exercendo o papel de irmão mais velho, resolvi escrever uma carta. Eu fui o primeiro filho da mamãe — possivelmente o que mais deu ansiedade para ela, já que o seu pai conta cada hora do dia esperando você chegar — e logo vou ser o que viu todos os outros nascerem. Ser um irmão mais velho não é fácil, mas é algo tão especial que vale a pena todo o esforço. Quando o Lucca nasceu, eu tinha apenas sete anos. Era um garoto e não entendi muito bem o valor de ter — e de ser — um irmão. Com você é diferente. No dia em que escrevo esta carta, estou completando 16 anos de vida (muita coisa, né?), e você ainda nem nasceu. Dezesseis anos pode parecer pouco para os adultos ou muito para as crianças, mas é um período de tempo extenso quando se fala em diferença de idade entre irmãos. Pensa só: quando eu estiver terminando a faculdade, você ainda nem va...
Meu filho, Ontem fiquei pensando sobre a efemeridade da vida. (E sim, tu vais precisar correr atrás de vocabulário o quanto antes.) A verdade é simples e profunda: por mais longa que seja, a vida é sempre breve. É como um sopro — um sopro precioso — que passa por nós antes que percebamos. E, assim como escrevi sobre a felicidade, talvez a vida também tenha um propósito que se encerra em si mesma. A finalidade da vida pode ser apenas viver. A finalidade da vida pode ser a própria vida. Nada mais simples. Nada mais grandioso. E o nosso compromisso não deve ser apenas com a nossa existência individual, mas com essa história maior da qual fazemos parte — uma história cujas origens ainda não compreendo totalmente. Não tenho explicações empíricas (vai atrás do vocabulário, já disse!). Mas sei que, se há compromisso, há igualmente uma grande oportunidade: desfrutar deste tempo que nos foi dado . Já te falei sobre equilíbrio, mas hoje quero te mostrar outra perspectiva. Sempre imaginamos que n...
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