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Mostrando postagens de 2021

Café Gelado

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Quando cruzávamos olhares elétricos, acreditando que aquilo seria o máximo que poderíamos ter, era impossível imaginar uma Coca-Cola com Café na minha mesa. E perguntaram ao louco, quanto seria dois mais dois. O louco respondeu: “Quarta-feira!” Outro louco, que ouvia, adiantou-se e respondeu: “Não! Dois mais dois é igual a paralelepípedo!” O terceiro louco então respondeu: “Dois mais dois é igual a quatro, obviamente!” E acrescentou: “Quarta-feira, mais um paralelepípedo, é igual a quatro”! Parece que Coca-Cola e Café juntos, e nossos olhares libidinosos de outrora, tem tanto a ver um com o outro quanto o somatório de quarta-feira com paralelepípedo: coisa de louco! “Mais louco é quem me diz... e não é feliz...” Na verdade, estou aqui pensando em como tornar mais doce o dolorido final de semana da minha esposa, depois de uma cirurgia bucomaxilofacial (ou maxilobucofacial) . Ela me dizia pela manhã que sem bebidas quentes, sentirá mais falta de café. Hoje, rodei algumas lojas ...

Indecifrável

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O enigma da esfinge. O sorriso da Monalisa. As águas plácidas de um lago em um dia sem vento. Indecifráveis. Em dias de rostos cobertos por máscaras e cenas apocalípticas, os olhos são mais do que janelas d’alma.   O olhar revela tudo que a obscuridade das palavras tenta esconder. Há quem transmita no apertar das rugas o sorriso dos lábios; ou no franzir do cenho a preocupação; há quem baixe as pálpebras de decepção e tristeza, ou erga o olhar brilhante de entusiasmo ou alegria. O bom mentiroso sabe que o olhar lhe desmente. O blefe se entrega com o olhar. É no olhar que se reflete o gozo do amante, ou a violência do algoz. Sutil e delicado. Nem sempre! Valho-me do Castrinho ¹: “Deus! ó Deus, onde estás que não respondes?” Vejo, ao andar pelas ruas frias de inverno, olhos mortos, sem brilho e sem expressão. E quando não são eles, são olhos do demônio que invade os corpos sem vida de quem foi vencido pela fome, pela loucura, pela miséria, ou por um cachimbo imundo. M...

O frio

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Eu era um jovem convidado numa casa rural nos campos de cima da serra, no interior do Rio Grande do Sul. Era julho, um inverno rigoroso. Tudo que se enxergava até o horizonte estava vestido de branco. Não era neve. Era geada. Um vento em particular, o Minuano, típico daquelas bandas, assoviava e cortava. Dentro da casa, as paredes grossas, centenárias; a velha chaleira de ferro repousava no fogão a lenha, servindo para aquecer a água com que serviríamos o mate amargo, que atenuava o frio dolorido que subia pelos calcanhares, como que se percorresse cada osso. Implacável. O frio era implacável. Na sala, uma grande lareira retinha chamas insuficientes para aquecer o espaço, mesmo com janelas fechadas. Sobre a pele, desacostumada das agruras do campo ou do tempo, várias camadas: ceroula, camiseta, camisas, blusas, meias, calças, jaquetas, botas, e sobretudo um grosso pala! Frio. Muito frio. Outro dia, senti um frio bem menos intenso, suficiente para me fazer lembrar daquele dia ...

Mais uma de fôlego

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Bastaria para mim um almoço sob o sol de outono. Aquele  sol que aquece sem queimar, a brisa que precede a chuva e quando não há nenhum outro lugar em que se poderia estar senão exatamente ali. A pele, o peito, o perfume, o gosto, as mãos. O que existe é a sensação de que tudo está como deveria estar. Completo. Felicidade. A felicidade é como um sopro! E no lugar dela, vem a saudade. A saudade daquele momento onde haveria de ter um sol que aquece e não queima e uma brisa que precede a chuva. E acabamos percebendo que aquele dia, que aquele momento foi não só inédito, mas exclusivo, único, irrepetível. E por isso mesmo, tão feliz. Então, não bastará pra mim um único almoço sob o sol de outono. Quero cafés da manhã na cama. No sofá, na mesa, na pia, onde for. Em Palhoça, Porto Alegre, São Paulo. Quero cafés, chás, jantares. Também caminhadas em trilhas. Pelas ruas. Leituras, filmes, cinema. Brincadeira no chão, na grama, na areia da praia. Quero te amar, e fazer amor. Crianças no...

Despertador

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Hoje acordei com vontade de escrever. Faz alguns dias, talvez semanas, quiçá meses que o Opiniático não tem compartilhado suas opiniões e reflexões. Há momentos em que não se consegue opinar, e, infelizmente, menos ainda refletir. O turbilhão de compromissos, atividades, metas, resultados que a vida profissional nos exige se sobrepõe ao prazer de escrever, por exemplo. Aí, fico aqui diante do papel digital em branco como um pintor que observa mais o entremeado das fibras do tecido da sua tela, do que a visão da obra que quer entregar. Porque é assim, de certa forma vamos esculpindo ao longo das palavras um resultado pretendido. E nem sempre está claro o que se pretende. Queria só escrever. E, para quem experimenta, sabe que há tanto tesão no ato de fazer amor quanto no orgasmo em si!... Especialmente quando se faz com a pessoa amada e se pode ver dentro dos olhos, na pulsação do peito, no arfar dos pulmões a fruição do momento, de cada momento, antes mesmo da entrega final. E aí,...