Postagens

Mostrando postagens de junho, 2013

Reencontrar-se

Depois dos “arrastões” de ontem, quando se reuniu a “Associação dos Bandidos e Marginais de Porto Alegre”, que foram inocentemente acarinhados pela Brigada Militar, encontrei um sujeito que há tempo não via. Antes de falar desse reencontro, quem observou atentamente o que ocorreu na cidade, viu que não houve nada de manifestação. Houve cenas de caos, de colapso do sistema, de inversão de papéis.  Nas portas dos prédios, em algumas esquinas os próprios moradores se armaram com paus, porretes, enfim, para proteger seu patrimônio e sua família.  Vamos chegar a uma guerra civil sem causa? Atenção, atenção! Sigo na campanha: manifestações à luz do dia, nos finais de semana! Talvez, os movimentos voltem a ser legítimos. Infelizmente, não consigo distinguir quem é quem nas sombras da noite. Voltando ao sujeito que reencontrei.  Ponte Que Partiu! Algo naquele rapaz me era muito familiar.  Ainda não sabia bem o que.  Devia ter entre dezesseis e dezessete anos. O...

Agora, a curiosidade.

Por mais que se tente tornar complexa a discussão, por mais que se tente entender ou posicionar-se a respeito do “movimento”, há se render aos seus efeitos fantásticos. Há um corre-corre, um senso de urgência entre a classe política, no mínimo, “bonita” de se ver. Nenhum destes senhores que detém o poder (será?) quer correr o risco de ter um exército de rebeldes motivados diante de suas casas. O esforço, portanto, é para salvar a própria pele, e tentar não deixar escapar votos neste momento tão crítico. Aliás, como serão as próximas eleições. Em que nível teremos protestos e manifestações durante o horário eleitoral, e durante o pleito em si? Haverá votos de protesto? Elegeremos as mesmas raposas? Talvez meus medos venham sendo substituídos por curiosidade.

Manifestação Pessoal

Antecipadamente é importante que eu lembre que o “Opiniático Reflexivo” é o espaço que tenho tido para praticar um hobby que me dá um grande prazer, que é o de escrever.  Aliás, opinar, refletir e escrever.  Não tenho compromissos ideológicos e tampouco defendo lados, ou bandeiras partidárias.  Muitas vezes me pego em pensamentos contraditórios e questiono minhas próprias opiniões. Ou seja, muitas vezes escrevo justamente para construir um posicionamento mais convicto. A partir deste post, vou tentar mudar um pouco o tema, mas, creio que estejamos tão soterrados de manifestações, que praticamente é impossível deixar de falar a respeito.  Volto a insistir, sou amplamente favorável às manifestações populares e à mobilização das ruas.  Mas, ainda assim, preciso da avaliação técnica, isenta, séria, profissional, de que o país terá condições de suportar as mudanças, as melhorias, sem que haja maiores prejuízos ainda.  Que bom que o país acordou, que par...

Reação Demagógica.

Voltando aos meus temores, sinto que realmente a República está alarmada.  Tragicamente, os dirigentes do país estão assustados, amedrontados, apavorados.  Ora, primeiro a proposta de uma Constituição descabida (e espúria, diga-se de passagem).  Agora, um plebiscito para que se saibam as “aspirações” do povo. Será tão difícil descobrir? A questão nunca foi o que a população quer. É simples. Um sistema de saúde onde todos possam ser atendidos com dignidade. Condições de transporte público em que as pessoas não estejam “enlatadas”. Educação capaz de proporcionar uma alfabetização funcional às pessoas. Estradas amplas e seguras. Segurança capaz de promover tranquilidade às pessoas, inclusive para caminharem pela Redenção às dez da noite. Pleno emprego. Altos salários. Iphones e Ipads novos a cada lançamento da Apple. Uma viagem à Europa a cada dois anos. No intervalo, outra viagem à Disneylândia. Carros zero quilômetro a cada três anos, motores acima de 1.8l, bancos em ...

Não dava pra imaginar...

Eis que no meio de tantos abalos cívicos e mobilizações, neste final de semana resolvi ler o último livro do Dan Brow, “Inferno”.  Típica leitura de ação, com características bastante marcantes do autor. Até um pouco repetitivas diante dos demais livros do sujeito. De qualquer forma, gosto do estilo. O mais interessante, contudo, é que minha leitura foi em formato totalmente digital. Pela primeira vez, folhei um livro virtualmente.  Talvez, algumas pessoas me achem desatualizado por demorar tanto para fazer isto, mas, a novidade, ainda é redundantemente nova pra mim. Vejam só, baixei um aplicativo no meu tablet (que já é algo impressionante), e também no meu telefone (outra coisa impressionante); o mesmo aplicativo para ambos os aparelhos. Através de uma livraria virtual, com meia dúzia de “cliques”, estava folheando meu novo livro. Sábado, lá estava com meu aparelhinho de 10 polegadas na mão, mais leve e mais prático do que um livro de mais de quinhentas páginas. ...

Temores

Há quase cinco séculos Thomas Hobbes, filósofo inglês, um dos chamados “contratualistas”, declarou que “o homem é o lobo do homem”. Argumentou que o ser humano, em seu estado natural, vive com medo de seus semelhantes, de seus pares. Desta forma, para viver em paz, entregamos parte de nossa liberdade, ao Estado para que ele possa nos garantir a segurança mínima para não vivermos com medo. Hobbes chama o Estado de “Leviatã”, título de sua principal obra, fazendo referência ao monstro bíblico. O Estado, portanto, seria forte porque teria a seu serviço, parte da credibilidade, da fé, e do poder individual de cada um dos cidadãos que está sob sua tutela.  Desta forma as ameaças seriam contornadas, dissipadas, diminuídas, frente à imensa força do Leviatã. O país, fortalecido com instituições sérias e comprometidas, e forças de segurança, garantidoras da “paz social”, trariam certo conforto e serenidade aos seus cidadãos. Cabe o parêntese para mencionar que o Brasil tem enfraque...

Desconfiança....

Há dias venho tentando construir alguma posição sobre as manifestações que tem ocorrido no país.  Tinha quinze anos quando participei do movimento dos “Cara Pintadas”. Lembro de usar camiseta preta, e uma jaqueta da seleção brasileira. O objetivo era claro, e, estávamos muito longe de atingir metade da proporção que hoje as coisas estão tomando no país. Vinte anos se passaram, e de lá pra cá, não tinha visto nada parecido. Preocupa-me a violência, a fragilização das instituições, a perda de limites, o vandalismo.  Preocupam-me as perdas injustas  de quem também se sacrifica para manter sua família e seu trabalho. Preocupa-me o descontrole da massa, da multidão. Fazia frio em Porto Alegre na noite de ontem. Fazia frio e chovia muito. E quem viveu aqui sabe bem o quanto é molhada e fria a chuva no início do inverno em Porto Alegre. Fiquei arrepiado de ver as imagens da Av. João Pessoa ontem. Um misto de medo, preocupação e orgulho. Apenas do frio, da chuva, vinte m...

Curso de Direito

Agravo. De instrumento, retido, interno. Apelação.  Recurso especial ou extraordinário. Embargos infringentes, de declaração.  Flagrante.  Próprio, impróprio, presumido. Prisão preventiva, temporária. Inquérito policial.  Ação penal; privada, pública, condicionada, incondicionada. Estou há alguns dias em volta disto, e não tenho conseguido escrever. Hoje não deu pra resistir. Era uma menina, loira, bonita. A pele ainda sem qualquer expressão ou sinal do tempo. O vento agredia-lhe a face, ainda assim, protegia em seus braços o filho que mal conseguia carregar. Entrouxado em vários casacos, jaquetas, enfim. Aninhado no colo materno a criança dormia.  Alheia ao frio, ao tempo, ao horário, às contas, ao esforço, ao ônibus lotado, ao emprego, ao chefe, e a todas as inúmeras preocupações da jovem mãe, que o carregava com tanto esforço. Era pouco antes das sete da manhã, interrompi a Adele e meus devaneios matinais, para observar a cena. Como pode uma menina ...