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Mostrando postagens de fevereiro, 2020

O dia depois de ontem

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Hoje é 29 de fevereiro, o primeiro dia do quadragésimo ano de vida do meu amor. Eu sei que ela não vai gostar dessa primeira frase, porque ela não gosta de imaginar que hoje ela começou a completar seus 40 anos. Falei sobre isso no meu post de ontem, quando era de fato seu aniversário. Como sempre, eu acordei antes dela. Ainda sinto o gosto do chope, acho que bebi demais ontem. Preciso de um café, que ela vai me pedir em breve. Mal consigo me mexer na cama, e ela me puxa de volta, ainda dormindo. É sábado, não temos hora pra nada, mais uma vez, as crianças não estão conosco, e as comemorações de ontem foram até hoje. Ela me segura com o braço sobre minha cintura, tento fugir em silêncio. Já disse, preciso de um café. Ela balbucia “aonde você vai meu amor?” Aquela voz rouca, com o “erre” pronunciado entre um chiado e um tipo de arranhado pela garganta me enlouquecem. “Já volto”, falo baixinho em seu ouvido, quase como um sussurro. Noite passada, ela fez meu coração parar c...

Parabéns meu amor

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Amor, Hoje, teu aniversário, celebraremos o que já aconteceu e a inauguração de novas experiências, que ainda serão comemoradas! Encerramento e inauguração.   Transição que me leva à refletir sobre o tempo, este recurso valioso, perecível e muito limitado, que nem todos tem! Absolutamente relativo. As horas de saudade são tão lentas e arrastadas, quanto é veloz e efêmera a semana de euforia ao teu lado. Portanto, a medida do tempo, não está nos ponteiros do relógio, mas, na intensidade de cada minuto. Intensidade é uma palavra que te define. Amor, é outra. Seriam várias. Juntos, vivemos em alguns meses, uma vida inteira de intensidade, amor e estas outras coisas.   Não importa os trinta e poucos, ou muitos. Todos foram intensos, eu sei! Erros e acertos. Vitórias e derrotas. Uma combinação aparentemente aleatória de eventos, em um sincronismo mágico que nos trouxe até aqui. Houve lágrimas, e delas nasceu um sorriso ainda mais iluminado. Houve desencontro...

A Princesa e o Plebeu (adaptado e atualizado)

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Era uma vez, num reino muito, muito distante uma princesa linda, que vivia no alto da torre de um castelo. A princesa era casada com um dos filhos do rei, há muitos anos. O príncipe, que não percebia mais os encantos da princesa, escolheu abandoná-la. Grande erro! Os filhos da princesa, os pequenos príncipes, viraram a sua grande concentração de amor. Um amor tão lindo que tornava a princesa ainda mais bela. Ela havia perdido o príncipe, mas, mesmo melancólica, ainda era linda, e seu amor transmitia um calor reconfortante aos principezinhos. Distante dali, um jovem plebeu, olhava com tristeza o que acontecia com a linda princesa, e se preocupava. Ele também havia perdido sua companheira, que durante anos estivera ao seu lado. O amor entre eles também havia ficado doente, e acabara morrendo. A perda do amor trouxe consequências terríveis para o plebeu. Mal teve onde morar, o que comer, ou vestir. Perdeu produtividade, perdeu referências, perdeu amigos. Também estava sem rumo....

Pescaria e Temporal

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Lá no horizonte o céu azul começava a ter a cor e o peso do chumbo. O vento zunia, e levantava a areia fina que machucava as canelas. Nossos pés molhados nas ondas que lambiam a praia, e nossa insistência e ficar ali, observando os raios e relâmpagos que cortavam o céu, e eletrificavam o mar infinito. E a chuva chegou! Forte. As gotas pareciam pregos que machucavam a pele exposta. "Vamos embora!" O trovão parecia bem perto agora. Dava medo, mas, não desistimos. A chuva ficou mais forte, exatamente quando a ponta da vara tremeu. Era grande. O peixe que havia mordido o anzol era grande e bravo. Não poderíamos deixar escapar. E o vento aumentou. E a chuva também. Não havia onde nos esconder, corríamos com a vara de pesca, e a linha sendo enrolada ao mesmo tempo. “Para a guarita vazia do salva-vidas!” O único lugar que poderíamos nos abrigar era uma guarida de madeira, sobre estacas, com um metro quadrado, onde só cabíamos meu pai e eu. De lá, podíamos continuar p...

Imaginação

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Cinco passos para a direita, três passos pra baixo. Vamos cavar! Um pouco cada um, vamos abrir este buraco. Olha, um baú!!! Me ajuda, puxa aqui, segura ali. Você pega por este lado, eu pego por este. Vamos levar pra cá. Olha, tem um cadeado, vamos tentar abrir. “Clec, clec, clec”. Abriu! Nossa! Quantas moedas de ouro. Pega uma, ou mais de uma. Que grande e dourada. Vou colocar no meu bolso. Eu também. Vamos guardar? Não, vamos cavar em outro lugar, e achar outro tesouro. Certo! Mais dois passos pra lá, outros quatro pra cá. Agora, estamos nessa outra batalha! Não fuja! O meu lançador é muito bom. Essa Beyblade de ferro é invencível. Mas, as do Japão são muito melhores. Se as duas eclodirem juntas, fica empatado. Caí na vala da arena. Vai! Vai! Vai! Toma! Ahhh! Essa é a mais poderosa! Essas aventuras aconteceram na sala, sobre a cerâmica fria. Pá, baú, cadeado, moedas, tudo, todos os detalhes, todos, mera imaginação infantil. Beyblade é um pião moderno, ao invés do barbante...

Quem pode viajar?

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Caso você esteja lendo isso no futuro, há que se contextualizar que nesta semana o atual Ministro da Economia do Brasil, Sr. Paulo Guedes, provocado sobre a volatilidade cambial e à subida do dólar frente ao real, teria ironizado declarando que até empregadas domésticas estavam passeando na Disney, e que deveriam optar por Foz do Iguaçu, ou outros destinos brasileiros. Não pegou nada bem, por óbvio. Declaração no mínimo grosseira e preconceituosa. Ainda que coubesse extensa reflexão sobre o comentário em si, não é sobre isso que quero refletir. Fico pensando, afinal, quem pode viajar? O mundo encolheu, é fato. Os meios de transportes evoluíram relativamente pouco nos últimos 50 anos. Automóveis seguem sendo o principal meio de transporte diário, junto com ônibus e caminhões por via terrestre, que incluem os trens, que seguem sendo um alternativa interessantíssima, exceto no Brasil. Navios. Aviões. E ponto final. Mudanças apenas na tecnologia embarcada, mas, basicamente, nada ...

Sobre Confiança

Muito se fala sobre confiança. Há vários conceitos possíveis e origens etimológicas da palavra. Não quero me deter a conceitos formais, e, a despeito das minhas longas reflexões, pretendo ser breve. Tenho pensado que a confiança é algo que inicia como uma outorga gratuita, e vai evoluindo de acordo com um processo de conquista que leva tempo, transparência e reciprocidade. Podemos confiar em muitas pessoas, e não é que confiemos mais ou menos em um ou outro, mas, podemos, além de simplesmente não confiar, ter diferentes estágios da confiança. O primeiro é quando acreditamos que determinada pessoa não nos quer mal, ou seja, é alguém com quem podemos conviver, eventualmente ter por perto, porque ela não nos prejudicará. Esse é um processo quase que instintivo, e por vezes injusto, já que o contrário também é verdadeiro. Há pessoas que simplesmente acreditamos que não nos querem bem. Com a convivência, elevamos o nível de confiança para um segundo estágio, que é quando temo...

Maior presente

Hoje eu recebi um presente! Em forma de canção. Não lembro de alguém ter cantado pra mim. Especialmente uma canção de amor, uma oração: Nem sempre escrevo o que sai de mim, minha inutilidade me permite escrever qualquer coisa: Quando todos os meus medos já não cabem mais em mim Quando o céu está de bronze e parece que é o fim Quando o vento está revolto e o mar não quer se acalmar Quando as horas no relógio se demoram a passar Muitas vezes não consigo os teus planos compreender Mas, prefiro confiar sem entender Eu creio em ti (2x) Eu olho pra ti E espero em ti Quando você sente medo do teu lado eu estou E é bom que você saiba que eu sinto a tua dor Nunca, nunca se esqueça Que o mar posso acalmar E que eu sei o tempo certo da vitória te entregar Este tempo é necessário para te amadurecer E depois tem novidades pra você Eu cuido de ti (2x) Descansa em mim Comece a sorrir O que eu tenho é bem melhor Pois só eu sei do amanhã Ent...

Morena!

A pele dourada do sol, ainda que no inverno nublado; Detalhes íntimos, guardados pra mim. Morenos. Cabelos escuros, longos e ondulados!  Por vezes lisos, por opção. Caminhar firme, seguro. Caminhar leve, como de quem não toca o chão. Caminhar quem não caminha, desfila. Caminhar que inspira poemas, arranca suspiros de uns; e inveja de outros. E o corpo. Ah o corpo. Nem Stradivarius ousaria contornos tão perfeitos. Não, não apenas os quadris largos, a cintura fina, e os seios desenhados, Simétricos como recomendam os cirurgiões; Toda ela fora feita com esmero. Cada detalhe, as coxas fortes, torneadas, deliciosas de serem acariciadas, (ainda que só em pensamento); E as ilhargas, marcadas pela prática constante do pilates , continuidade de um abdômen definido, por onde vagam meus desejos. Sim, as formas arredondadas e fortes, aquelas que mesmo o mais puritano dos seres humanos, insistiria em acompanhar quando passa. As mãos, que bailam como...

Provocação Jurídica

Enquanto eu sorvia o amargo gelado de uma Heineken gelada no final do domingo, aquele sujeito chegou de bicicleta, com uma mochila quadrada estampada ifood para pegar mais uma encomenda da lanchonete. Além dos clientes pessoalmente na loja, havia um entra e sai de entregadores em bicicletas, revelando uma tendência grande de conveniência e impessoalidade. Enquanto advogado, tenho lá minhas convicções a respeito deste modelo de “empreendedorismo” americanizado em solo tupiniquim. Confesso que há um conflito pessoal e uma tentativa frustrada de equilibrar o empreendedor defensor feroz da livre iniciativa, e o jurista estudioso das relações de trabalho. Isso é assunto para outro post. Neste caso, o que me chamou atenção foi o fato de que ele usava uma bicicleta alugada. Sim, destas que aquele banco disponibiliza em locais da cidade, a partir de um pagamento de mensalidade. Salvo juízo, o uso ilimitado de uma bicicleta alugada, ao longo do mês, custa algo como R$ 20,00, com a ob...

Inutilidade do Opiniático

INÚTIL. adj. Qualidade daquilo que não tem utilidade para mais nada; encerra em si mesmo sua finalidade; existe por si só; não precisa dar causa. (SOUZA, Fábio Augusto de. PEQUENO DICIONÁRIO MENTAL: Obra não publicada. Ed. Crazy Brain. 2020. Pag. 134). A felicidade, por exemplo, é inútil. Não serve para mais nada, exceto para si mesma. Se a razão e o propósito de cada gesto na vida é a busca pela felicidade, a própria felicidade é, portanto, inútil. Afinal, somos felizes para, sermos felizes. A felicidade é inútil. Essa definição, por favor, não é minha. Socorro-me do Clóvis (de Barros Filho). Assim, quero lembrar que a essência do Opiniático é justamente a sua INUTILIDADE. Não precisa servir para mais nada. Basta-se. Serve apenas pelo prazer inútil de combinar palavras e registrar opiniões e reflexões próprias. Contudo, se você quiser um pouco de inutilidade, eventualmente de prazer, ou uma pequeníssima porção de felicidade inútil, ainda que seja a minha, seja bem-...

Smartphones

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Eu devia ter no máximo oito anos. Meus irmãos não haviam nascido. Soube que nosso vizinho havia morrido. Assassinado. Foi ferido de morte em uma briga de facas. Certamente uma discussão passional e idiota. Mas, a faca que mata, também servia para passar manteiga na bolacha Maria, a melhor iguaria da casa da minha avó. Aliás, gosto muito de escrever sobre as memórias da minha infância, e quase sempre meus avós estão nestas lembranças. Isso é só um parêntese. Na década de 80, quando eu era um quase adolescente, surgiam os primeiros headphones.   O Walkman era uma novidade para poucos. Ainda usávamos fitas “K7”, que passávamos horas gravando diretamente das rádios, privilégio para quem tinha um aparelho “três em um”. Lembro de uma “fita” herdada da minha prima mais velha, que até hoje sei a sequência de uma música para a outra. Já em 1986, estávamos nas vésperas da Copa do Mundo do México, meu pai chegou em casa com um pequeno aparelho batizado de “Orelhinha”. Num mesm...