Sobre Confiança
Muito se fala sobre confiança. Há vários conceitos possíveis e origens etimológicas da palavra. Não quero me deter a conceitos formais, e, a despeito das minhas longas reflexões, pretendo ser breve.
Tenho pensado que a confiança é algo que inicia como uma outorga gratuita, e vai evoluindo de acordo com um processo de conquista que leva tempo, transparência e reciprocidade. Podemos confiar em muitas pessoas, e não é que confiemos mais ou menos em um ou outro, mas, podemos, além de simplesmente não confiar, ter diferentes estágios da confiança.
O primeiro é quando acreditamos que determinada pessoa não nos quer mal, ou seja, é alguém com quem podemos conviver, eventualmente ter por perto, porque ela não nos prejudicará. Esse é um processo quase que instintivo, e por vezes injusto, já que o contrário também é verdadeiro. Há pessoas que simplesmente acreditamos que não nos querem bem.
Com a convivência, elevamos o nível de confiança para um segundo estágio, que é quando temos alguém que nos quer bem, que está disposto a fazer coisas para tornar nossa vida melhor, enfim, para de alguma forma nos trazer alguns instantes de alegria e felicidade.
O terceiro nível de confiança, muito comum no ambiente de trabalho, mas, também percebido em casa, é quando delegamos uma tarefa e recebemos ela cumprida. A famosa missão cumprida. Confiar uma tarefa a alguém, e ficar tranquilo de que ela será executada, eleva bastante o nível de confiança.
Finalmente, o quarto estágio da confiança é quando a tarefa que delegamos é tão bem feita que, na nossa avaliação, quem a fez teve tanto zelo, cuidado e competência que é como se nós mesmos tivéssemos feito. Naquele momento, o destinatário da nossa confiança nos representa. Confiamos a ponto de delegar muitas coisas, pois sabe-se que o resultado seria tão bom quanto se fôssemos nós mesmos que tivéssemos feito.
Até esta semana eu não havia evoluído ainda minha percepção de confiança. Percebi que há um quinto nível. Um nível que só existe nas relações mais íntimas e poderosas. Existe uma confiança que é aquela em que ao contrário de delegarmos ou orientarmos, somos nós quem nos submetemos à determinação ou orientação de alguém, especialmente de forma voluntária, já que, afinal, é uma relação de confiança.
Confiamos no médico, que nos prescreve a medicação; no advogado, que nos orienta a conduta; no fisioterapeuta, que nos conduz o movimento; em Deus, a quem nos submetemos à sua vontade! É uma relação de entrega, de reconhecimento que, ao confiar, o resultado será o melhor que eu poderia ter.
Esse é um estágio de confiança que não é apenas outorgado, é conquistado, especialmente nas relações pessoais. Chegar em um nível onde permitimos ao outro conduzir algumas de nossas decisões, permitir que nos influencie, e que, por vezes nos conduza, é, talvez, o máximo que se pode esperar da confiança em alguém.
Feliz de quem consegue estabelecer uma relação de confiança recíproca, onde ambos se entregam, buscando o melhor de cada um para ser o melhor para cada um e, assim, o melhor para ambos.
Esses conceitos construímos a quatro mãos, descobrindo um ao outro, estabelecendo conexões, convergências; alinhando valores e expectativas. Resultado da admiração e respeito que sempre tivemos, com base justamente no que convivemos, no que conversamos e no que acreditamos.
Obrigado, meu amor, pela nossa Confiança de Nível 5!
Talvez digam que nosso nível seja exagero... talvez digam que seja paixão e que passará... talvez digam que isso não existe ou não é verdade... Digam o que quiser, nosso nível é fruto de admiração, respeito e amor. SIM, AMOR!
ResponderExcluirObrigada, meu amor, por toda confiança e todo amor! Te Amo!