A Princesa e o Plebeu (adaptado e atualizado)
Era uma vez, num reino muito, muito distante uma princesa
linda, que vivia no alto da torre de um castelo. A princesa era casada com um
dos filhos do rei, há muitos anos. O príncipe, que não percebia mais os
encantos da princesa, escolheu abandoná-la. Grande erro!
Os filhos da princesa, os pequenos príncipes, viraram a sua grande
concentração de amor. Um amor tão lindo que tornava a princesa ainda mais bela.
Ela havia perdido o príncipe, mas, mesmo melancólica, ainda era linda, e seu
amor transmitia um calor reconfortante aos principezinhos.
Distante dali, um jovem plebeu, olhava com tristeza o que
acontecia com a linda princesa, e se preocupava. Ele também havia perdido sua
companheira, que durante anos estivera ao seu lado. O amor entre eles também
havia ficado doente, e acabara morrendo. A perda do amor trouxe consequências
terríveis para o plebeu. Mal teve onde morar, o que comer, ou vestir. Perdeu
produtividade, perdeu referências, perdeu amigos. Também estava sem rumo.
A princesa sempre fora linda, inteligente, de um sorriso
mágico e iluminado. Por onde passava, deixava os súditos admirados com tamanho
encantamento. Não era diferente com o jovem plebeu. Houve um tempo em que ele
circulava volta e meia pelos corredores do palácio, e servia ao reino e também
à princesa. Como todos súditos, sempre fora encantado por ela.
Ora, ele jamais poderia imaginar que, por algum momento se
quer, sua alteza iria olhar, ouvir, ou considerar estar próxima de um simples
plebeu. Aliás, mais do que isso, ele
nunca ousaria aproximar-se da princesa.
Eis que um dia, uma fada madrinha visitou o plebeu e lhe
ordenou que chamasse a princesa para conversar; que lhe contasse sobre suas
preocupações; e sobre o sorriso encantador da princesa. De um susto, ele decidiu
a contar para a princesa que ela poderia ser feliz, e que sempre que ela quisesse
saber o quão linda e desejada era, bastava estalar os dedos, e ele falaria
sobre a sua doçura e seus encantos.
Mais do que isso, ele poderia servi-la como melhor lhe
aprouvesse, e que tudo que fosse possível ser feito por um simples plebeu,
seria feito para garantir a sua felicidade.
Porém, não seria fácil realizar o pedido da fada madrinha. O
plebeu, outrora sozinho, estava na companhia de uma jovem que lhe acolheu em um
dia de solidão. Na verdade, ela também se sentia só, quando encontrou aquele
jovem carente de companhia, de unguentos para suas feridas. Ele aceitou com
gratidão.
Ainda assim, no coração do jovem plebeu havia o compromisso de
conversar com a princesa, de lhe dizer que ela acalentava seus sonhos, e que
seu sorriso aquecia seus dias. Então, mesmo com o risco de perder a cabeça, de
ser açoitado e lançado aos lobos, e de entristecer a jovem bondosa, o plebeu
foi ter com a princesa seu momento confessional.
Não poderia imaginar o que aconteceu. A princesa ouviu tudo
que ele tinha a dizer, e sorriu. Um sorriso que afastou as sombras, que fez
nascer o sol, que fez brilhar o dia. E mais, ela sentia mais. A princesa também
sentiu seu coração aquecer.
Nenhum dos dois estava preparado para isso. Nem o plebeu
imaginava que a princesa iria lhe dar ouvidos; e nem a princesa, poderia
imaginar que um plebeu aqueceria seu coração.
O plebeu que estava entregue aos cuidados da jovem, sabia
que a bênção de amar a princesa, também seria sua maldição. Ainda que fosse
muito duro e difícil, ele não conseguiria, teve medo, seu coração já não estava
ali. Ainda não estava pronto para amar e cuidar de uma princesa, ele não se sentia
capaz disso. E ele fugiu!
Talvez seria tarde demais, e a princesa nunca mais pudesse
retribuir o amor do jovem plebeu. Talvez, se quer, pudesse tê-lo novamente em
seu convívio; talvez não conseguisse mais ouvir, ou ler suas palavras. Ainda
assim, o jovem plebeu partiria para descobrir-se novamente. Não, não dependia
mais da princesa, mesmo que ela jamais o acolhesse.
A maldição do plebeu seria sentir um amor impossível.
Abandonaria o amor que lhe fora ofertado; não conquistaria, o amor que desejou.
Princesa e plebeu pareciam estar sós, ainda que seus
sorrisos estivessem guardados um esperando pelo outro, assim como a noite
espera pelo sol.
Durante os anos seguintes, a princesa sentiu seu peito
sufocar, e começou a procurar em vão, numa floresta muito escura, o calor que
vinha do coração daquele jovem plebeu. Em alguns momentos, parecia encontrar
uma clareira, parecia que teria finalmente um novo amor. Mas, não! Novamente ela
se entregaria a ilusões.
Ela fugia de si mesma. O silêncio de seus aposentos, parecia
lhe sufocar. E ela fugia, corria pela floresta, perdida. Duendes, gnomos,
feiticeiros, se disfarçavam de príncipes, que só usavam a princesa, e, no dia
seguinte, ela voltava a se sentir só.
O plebeu, em sua terra distante, vivia também seus dias
cinzentos. Decidiu que em seu coração não teria mais o amor. Vivia um dia
depois do outro, como quem nada sem sair do lugar, preso a uma cansativa
correnteza. Ele se afogaria lentamente em uma vida comum e triste.
Pobre princesa. Pobre plebeu. Viviam distantes, perdidos um
do outro.
Um dia, inesperadamente, o plebeu foi chamado pelo reino
para uma nova tarefa. Lá, ele novamente encontrou a princesa. Ela estava na
porta do castelo, com um vestido encantado, um sorriso luminoso, e um brilho no
olhar. Os dois sabiam que era apenas juntos que esta história teria um final
feliz. E o coração do plebeu se encheu de esperança, e o coração da princesa se
aqueceu de novo.
Dessa vez, foi a princesa que subiu em um cavalo alado, e
foi ao encontro do plebeu. Ela precisava de uma única chance para se libertar e
libertar o plebeu de qualquer outro encanto que impedisse aquele final feliz.
Num beijo, num único beijo, o último primeiro beijo que a
princesa e o plebeu dariam na vida, salvaria os dois! Como em um passe de
mágica, as nuvens cinzentas deram espaço ao céu mais azul; a floresta escura,
se transformou em um lindo bosque colorido. Ela olhou pra ele. Ele olhou pra
ela. E ali, decidiram ser um do outro, pra sempre, ainda que continuassem sendo
um e outro.
Ah, esta história não acaba por aqui, e cada minuto, hora e
dia das vidas da princesa e do plebeu seria uma novo conto de fadas. Eles se
descobriram, se enxergaram, se tornaram melhores.
A história continua. Todos os dias, e a cada dia, eles tem
decido ser felizes para sempre!...

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