Provocação Jurídica
Enquanto eu sorvia o amargo gelado de uma Heineken gelada no
final do domingo, aquele sujeito chegou de bicicleta, com uma mochila quadrada
estampada ifood para pegar mais uma encomenda da lanchonete. Além dos
clientes pessoalmente na loja, havia um entra e sai de entregadores em
bicicletas, revelando uma tendência grande de conveniência e impessoalidade.
Enquanto advogado, tenho lá minhas convicções a respeito
deste modelo de “empreendedorismo” americanizado em solo tupiniquim. Confesso
que há um conflito pessoal e uma tentativa frustrada de equilibrar o empreendedor
defensor feroz da livre iniciativa, e o jurista estudioso das relações de
trabalho. Isso é assunto para outro post.
Neste caso, o que me chamou atenção foi o fato de que
ele usava uma bicicleta alugada. Sim, destas que aquele banco disponibiliza em locais
da cidade, a partir de um pagamento de mensalidade. Salvo juízo, o uso
ilimitado de uma bicicleta alugada, ao longo do mês, custa algo como R$ 20,00,
com a obrigação de entregar e pegar novamente.
Ao rapaz, com pinta de universitário, para gerar uma renda extra - não tenho ideia de qual - bastou-lhe um telefone celular conectado à internet. Não posso negar, que por mais que possamos falar em
precarização do trabalho, a possibilidade de se gerar renda apenas a partir da
tecnologia, criatividade, iniciativa e boa vontade, parece ser uma das boas novidades do século
XXI.
O assunto é longo, polêmico e complexo. Sem dúvida,
provocativo. Liberdade para trabalhar quando como e onde quiser, ou emprego formal, protegido, e caro?
Só uma provocação.
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