Felipão - Gerente de RH
Em 1996, era meu primeiro ano na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, no curso de Administração de Empresas. Meu primeiro estágio foi na Associação de Jovens Empresários, cujo presidente era o Sr. Paulo Dib, na época com menos de 35 anos, idade limite para ser considerado um "jovem empresário". (Incrível que neste ano quem faz 35 anos sou eu - difícil me acostumar ainda com a ideia).
Bueno, adiante. Eis que em um dos inúmeros eventos que a AJE realizou naquele ano, um deles contou com a Palestra do então técnico do Grêmio, Luiz Felipe Scollari. Todos sabemos que depois das façanhas do início dos anos 90, Felipão, literalmente, ganhou o Mundo. Naquela época, eu era, confesso, mais gremista do que sou hoje, e, claro, ter aquele privilégio foi demais.
Eu queria fazer alguma pergunta inteligente. Mas, com 18 anos, quem faz perguntas inteligentes? Mas, eu tentei. Perguntei a ele qual era o "milagre do vestiário"? Aquele time do Grêmio descia as escadarias ao final do primeiro tempo, derrotado, com dois gols do adversário, e voltava decidido a virar o jogo, e virava! Quem era gremista naquela época sabia que o time faria gols. Era bom ser gremista.
Bom, mas enfim, o Felipão olhou bem pra mim, deve ter pensado "de onde saiu esse guri de gravata", e me respondeu como se eu fosse o único na platéia. Ele disse o seguinte: "Se 'os caras' não estão correndo, solte os cachorros atrás deles!". Outra dica fantástica: "Transfiro a responsabilidade para o grupo, faço com que se sintam responsáveis pelo resultado do colega - jogador de futebol pode ficar de mal com a torcida, com o presidente, com o técnico, mas não gosta de ficar de mal com os parceiros de balada - que são os outros jogadores". (Pensando bem talvez ele não tenha dito 'balada', mas o espírito é esse).
Puxa, esse mesmo Felipão irá comandar a Seleção Brasileira na tarde de hoje, contra a Seleção da Inglaterra. Se o Felipão quiser, tenho certeza que tem muita empresa que iria querer ele como gerente de RH.
Boa sorte Felipão!
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