Preguiça Mental
Nas últimas semanas tenho pensado
bastante em como contribuir para o aprendizado da minha equipe.
Particularmente, tenho um grande desejo de que qualquer pessoa que trabalhe
comigo, tenha tantas condições de tomar decisões, quanto eu teria. Minha
realização profissional é poder capacitar pessoas a tal ponto, que a minha
presença não seja necessária. Ou, pelo menos, que nas minhas ausências, eu não
fique com preocupações insones quanto aos rumos da empresa.
Fico preocupado quando vejo
pessoas que fazem sucessivas e repetidas vezes alguns processos, sem entenderem
o que estão fazendo. Pessoas que executam por semanas as mesmas atividades, e
continuam sempre com as mesmas perguntas. Mesmo depois de algum tempo, ainda
não conseguem estabelecer pequenas relações de causa e efeito, ou identificar os
“porquês” da execução desta ou daquela tarefa.
Não, não são pessoas ruins, ou
más. Não, pelo contrário, a maioria
demonstra dedicação e comprometimento. Até alguma disciplina. Chegam cedo, saem
no horário. Mas, são apenas “executores”. Observe-se que estou indo além de “Tempos
Modernos” de Chaplin. Não trato aqui da repetição mecânica do operador de uma
máquina. Refiro-me a processos de gestão, processos administrativos, processos
decisórios. Mais do que isto, refiro-me a atendimento de clientes, atendimento de
pessoas.
É como se alguém passasse a vida
fazendo bolos, usando um mesmo copo para medir os ingredientes, sem saber a
proporção ou função de cada ingrediente. Quando o copo quebra, simplesmente,
não há bolo. Pode parecer um exemplo
simplório, mas, nas empresas, quando qualquer ocorrência sai do “manual”, eis
que se estabelece o caos. Isso, por completo desconhecimento dos ingredientes
de suas respectivas receitas.
Minha mãe havia batizado este
fenômeno simplesmente como PREGUIÇA MENTAL. A preguiça em pensar, em armazenar
informações, em estabelecer conexões, referências. Vejo a maioria das pessoas
entregar-se a uma execução “tarefeira” de suas atividades, e perderem grandes
oportunidades de desenvolvimento e aprendizagem. Quanto mais prontas vierem às instruções da
tarefa, quanto mais respostas imediatas houver, quanto menor a necessidade de pensar,
mais fácil se tornará o transcurso do dia, e a marcha da vida. De uma vida sem sal, diga-se de passagem.
Em todos os casos, as pessoas que
se destacam são aquelas que, em cada oportunidade, aprenderam e utilizaram este
aprendizado para serem melhores. Estas
pessoas adquirem confiança para decidir, credibilidade junto a seus pares e
clientes, e, portanto, fazem a diferença.
A mente não gasta. Há um “HD”
suficientemente grande para suportar muita informação. Portanto, nada de
economizar pensamento, conhecimento e aprendizado.
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