Nova Religião: "O Chiquismo"


Estava pensando em fundar uma religião. Estava pensando em quem seria a “referência filosófica” da minha religião. Poderia ser Buda (já tem), Alá (já tem ), Jeová (idem), Ogum (também), Gandhi (talvez), Abraham Lincoln (controverso), ou, quem sabe, meu “vô Chico”. Boa. É ele.

Afinal ter uma crença, ter uma religião é acreditar que uma determinada filosofia, uma determinada pessoa, uma determinada orientação, um determinado modelo, cabe em seus princípios, e vice-versa. E nisto, até aqui, não tem nada de transcendental.

Bem, então, esta nova religião seria baseada nos ensinamentos do “vô Chico”.  Seria o “Chiquismo”, ou o “Francisquismo”, veremos. Eu seria um “Chicão”, ou um “Franciscão”.  A base da filosofia do “Chiquismo” seria algo do tipo: “faça o bem”, “cuide de sua família”, “seja honesto”, “seja honrado”. Coisas do tipo.  Coisas que me servem como “princípios”.

No “Chiquismo”, provavelmente haveria penitências para alguns pecados. Sim, haveria pecados. “Subir o tom de voz ao falar com a vó”: resultaria em um puxão de orelhas; “deixar comida no prato”: certamente, ficaria sem sobremesa; “não guardar as ferramentas”: isso é seria, talvez uma semana sem poder usá-las. E assim por diante.

Por outro lado, haveria recompensas. Uma boa nota poderia valer um passeio no “super” e uma grande caixa de Sucrilhos na volta. Lavar a louça, certamente valeria uma grande caneca de café com leite e bolacha Maria assistindo Chaves. Ou ainda uma “nega maluca” com cobertura de chocolate. E tantas outras coisas.  Certamente, bem mais recompensas do que penitências.

Penso que haveria imensa felicidade às pessoas que se convertessem ao “Chiquismo” ou “Francisquismo”, ainda não decidi.

Haverá quem pense que uma caneca de café com leite e bolacha Maria não seria assim uma grande recompensa.  Outros, por outro lado, levantariam bandeiras contra os “puxões de orelhas”.  Alguns poderiam dizer que lavar a louça é fora de moda, ou fora de época. Aliás, coisa fora de moda mesmo é dar atenção aos avós, e aos mais velhos. Certamente, haveria uma legião de “facebookers altamente especializados” em religiões fazendo campanha contra os ensinamentos do meu avô.

Só tem uma coisa. As penitências e recompensas, dos convertidos ao Chiquismo, seriam pagas ou recebidas por quem? O puxão de orelha, ou a caixa de Sucrilhos, quem iria ganhar? Afinal, alguém que seguisse outra religião, ou que não seguisse religião nenhuma, teria algo a ver com isto?

Se você não se converter, problema seu! Ficará sem bolachas Maria mergulhadas no café.

Exatamente assim é a Igreja Católica e o Cristianismo nestes tempos moderníssimos em que vivemos. Se você quiser estar dentro, e sentir um pouco de paz e reflexão, ótimo, bacana, legal. Se não quiser, tudo bem, também. 

Não adianta querer provar que Deus existe ou deixa de existir. Esta é uma decisão pessoal.

É perda de tempo tentar me convencer de que bolacha maria mergulhada no café com leite é ruim. Esta é minha religião. Acreditar em Cristo, é minha religião.
Preciso que respeite-se as convicções, as crenças, os hábitos, as verdades que são diferentes umas das outras.

As redes sociais tem nos trazido manifestações de pessoas que se dizem agnósticas, ou simplesmente descrentes em Deus, ou em religiões. Estas defesas são absolutamente religiosas.  Travou-se uma espécie de batalha contra Deus. O incrível é que, agora, a prova que se pretende é a de que Deus não existe. 

Desnecessária batalha. Deus existirá, ou não, querendo, defendendo, brigando, ou não.

Se você não gosta de “nega-maluca” ou “Sucrilhos”, beleza. Eu gosto. Gosto de bolacha maria mergulhada no café, e daí?

Sou católico. Sou Cristão. E acredito em Deus. Combinado?

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