Química Corporativa

Confesso que, na escola, uma das matérias em que tive mais dificuldade, foi a "química".  Cálculo estequiométrico, número de Avogrado, tabela periódica, Teorema de Pauling, anéis aldeídicos, fenóis, enfim, coisas das quais eu tenho apenas uma vaga lembrança.  Contudo, inegável que a química faz parte de nosso cotidiano. Mas, surpreendentemente, ela se demonstra análogamente de forma tão aplicável quanto, efetivamente nos tubos de ensaio.

Notem, por exemplo, o processo de oxidação.  A oxidação, se verifica em vários processos, quando o oxigênio reage com determinadas substâncias. Percebemos claramente a oxidação na corrosão de metais, conhecida como aquela poeira marrom que se forma em latarias, a ferrugem.  Ela destrói, consome, emperra qualquer coisa, desde engrenagens à dobradiças, basta que determinados materiais permaneçam expostos ao ar, ou sem a devida lubrificação.

Quem já foi guri, sabe que é importantíssimo colocar um "azeitezinho" na correia da "bici", para pedalar com mais suavidade.  Ou, o veterano cuidadoso, que lembra de passar um "desingripantezinho" nas dobradiças da porta do "possante". Até a vovozinha sabe que algumas gotas de óleo, na máquina de costura, são fundamentais.

Nas empresas, o que tenho observado é uma generalizada falta de lubrificação das engrenagens que movem a organização. Infelizmente, as relações se desgastam, oxidam, enferrujam, e, muitas vezes, isso só é percebido quando todo o processo está emperrado, quando, enfim, a máquina trava, e, pode ser tarde demais.

É fácil perceber. Ocorre quando começamos a ter de fazer esforços maiores, para atingir os mesmos resultados. Ouvimos aquele ranger, aquele barulho incômodo, ao movimentar os processos, ao dar sequência nas providências. Parece que não somos mais ouvidos, parece que tudo tornou-se difícil.

É preciso, portanto, "azeitar" as engrenagens, ajustar as folgas, substituir as peças mais desgastadas, colocar a graxa da medida certa, limpar tudo, e fazer funcionar novamente. Esse processo envolve, necessariamente, cuidado e dedicação.  Também exige sensibilidade e disposição para permitirmo-nos mudanças. Mais ainda, é imprescindível aceitarmos que precisamos comunicar mais e melhor, que precisamos praticar o feedback, que precisamos, finalmente, estar preocupados em tornar a vida do nosso colega mais fácil.  

Ter como propósito facilitar a vida das pessoas, especialmente aquelas que estão ombreadas conosco, pode ser um grande antídoto para a oxidação das empresas. E eu que achava que não usaria química no meu dia-a-dia.



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