Brasil: Moribundo Esquizofrênico.
Não me surpreende a notícia estampada em Zero Hora, nesta manhã: "Polícia Federal prende dois secretários e mais 16 por fraude ambiental". Aliás, não surpreende ninguém. A regra no Brasil é a fraude. Imagino que um novo empreendedor deva incluir no seu "business plan" provisionamento para propina. Em pouquíssimo tempo, o SEBRAE irá incluir nas suas cartilhas orientações sobre "Como calcular as provisões de suborno", ou "Estruturas de Caixa 2", enfim, um capítulo inteiro sobre a corrupção necessária ao empreendedorismo. Verdadeiro absurdo!
Sim, há brasileiros que roubam! Corrompem! E não estão em Brasília, embora também estejam. Estão aqui, e aí. Lá e acolá. Tem um brasileiro que corrompe e é corrompido bem perto de você. E mais, se ele não estiver no seu espelho, olhe para o lado, ele deve estar ali. Não? Atrás de você então. Mas, não se espante, ele está aí, bem perto!
Os servidores públicos presos ontem foram corrompidos por empresários (excepcional e temporariamente também presos). Acredito que a corrupção é filha da mediocridade, e neta da preguiça. A corrupção está no furar a fila, no "tirar a multa", no "dar um jeitinho", no levar vantagem em tudo. Está no mecânico que cobra peça nova e coloca a usada; no sujeito que gasta dez e pede nota fiscal de vinte para lograr o patrão; está na "inocente" cola estudantil; está no responder a chamada em nome do outro. Nossa! Há muita corrupção. Levar vantagem é o caminho mais fácil, menos trabalhoso, mais medíocre, mais preguiçoso!
O Brasil tornou-se uma serpente que engole a própria cauda. Tornou-se a célula que promove a auto fagocitose, o suicida que opta pela morte lenta e dolorosa. Aguardem, os governos irão promover medidas mais austeras para controle de licenças ambientais. Assim como a Receita promoveu ontem, novas medidas para controle de compras em dinheiro "vivo". E como em qualquer caso, promoveremos o aumento da burocracia.
Sim, estamos ampliando a burocracia, e, com isso, aumentamos os espaços para a corrupção. Um empresário precisa submeter-se a um sem-número de leis, regulamentos, normas, para manter-se regular. Há alguns absurdos incríveis. Em alguns casos, para estar regularizado com determinado órgão, "desregulariza-se" com outro. Legislações conflitantes, processos demorados, que passam de mão em mão. Inúmeros carimbos, despachos, protocolos, autorizações, expedições, notificações, respostas, pessoas. Enfim. É o controle, do controle. E entre um controle e outro, sempre há um enorme espaço para a corrupção.
Não há exagero em dizer que o serviço público poderia operar, com muito mais eficiência, com apenas um terço dos servidores, ou menos. Não é preciso nem demitir, basta transferir os recursos destes dois terços que se dedicam à cultura da mediocridade corrupta, para investir em médicos que tratem pacientes, professores que ensinem alunos e policiais que prendam bandidos. (Sim, por aqui, médicos nem sempre medicam, professores nem sempre ensinam, e policiais nem sempre prendem). Seria simples, mas é IMPOSSÍVEL!
Infelizmente, isso não vai acontecer. A democracia é necessária, mas leniente, permissiva, demorada, lenta. Este grande monstro, este grande Leviatã que é o Estado Brasileiro, precisaria ser amputado de vários membros, precisaria agonizar, sofrer. Precisaria perder seu ranço, suas metástases, suas necroses. O remédio é amargo demais, doloroso demais. Optamos pela morte esquizofrênica, em detrimento da cura dolorida.
O que resta aos bons cidadãos, aos homens e mulheres de bem? Qual o futuro podemos esperar para os nossos filhos?
Ainda não sei.
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