Um comprimido?
O mundo moderno está reduzido a pílulas. Nada é muito profundo, nada é muito extenso, nada é muito longo. A velocidade imposta pela tecnologia, pelo mundo globalizado, pela internet, acaba por nos obrigar a viver e conhecer um pouco de muita coisa, mas, conhecer muito de quase nada.
Percebo que a quantidade de trabalho e informação que esta geração experimenta é muitas vezes superior à passada. Processavam-se documentos e ofícios em semanas ou meses; hoje, são dezenas de compromissos e formalizações feitas de hora em hora, para todos os cantos do mundo.
Houve um tempo em que haviam cartas, longos livros, poemas e poesias. Hoje, é o microblog, o twiter, o srapp. É o resumo, a apostila, o cursinho (já que o curso não prepara de forma suficiente - talvez longo demais). Compramos conteúdo, soluções, respostas, sabedoria, conhecimento, como que em farmácias, em pílulas, em comprimidos. Isto, comprimidos, conteúdo espremido em pequenas doses. Como se tomaria um paracetamol, ou ibuprofeno; uma cápsula, de quatro em quatro horas, e voilà a dor some, a luz acende, a sabedoria se cria, e toda nossa mente se ilumina com um novo conhecimento.
Enfim, sobreviverão os mais adaptados. Desta forma, segue um "comprimidinho"...
Os conteúdos para negócios também foram apostilados, também foram reduzidos, também foram "superficializados". Talvez haja, ainda, algumas coisas que, bem analisadas, bem distribuídas, bem decompostas e decantadas, possam trazer um bom aproveitamento.
Dentre meus "pockets" preferidos está o "Monge e o Executivo" de James Hunter. Longe de ser uma obra densa, pesada, ou doutrinária, apenas uma "pílula de sabedoria". Em síntese, segundo o autor, é preciso gerenciar com "amor". Não o amor sentimento, mas, o amor enquanto atitude.
Confesso que demorei um pouco para entender qual atitude, exatamente, poderia ser associada diretamente ao amor. E, na minha visão, amar, é dedicar-se a alguém, ou a alguma coisa. Todo o valor, toda a grandeza deste amor, está nas mãos de quem o recebe, ou na relevância do que se resulta de tal dedicação. Tanta será a recompensa, quanto for a distribuição de amor que se fará. Mais do que isto, dedicar-se a quem não nos retribui, a quem não entende como funcionam as regras da reciprocidade, a quem nos ignora ou subestima, este talvez seja o grande desafio. Talvez aí esteja a grande recompensa. Talvez aí esteja a maior demonstração de amor.
Parece que, eventualmente, em algum frasco empoeirado, encontramos pelo menos uma pílula dourada que nos sirva, e possa nos ajudar a fazer diferença.
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