Efeitos da "Doença"


Estou a trabalho em São Paulo. Vim antes da doença. Precisei estar enquanto a doença começou, quando as restrições começaram. E quando ainda não eram tão sérias. Aqui é o epicentro no Brasil, nestes primeiros dias.

Minha família está em Porto Alegre, minha noiva, com os filhos, em Florianópolis. Minhas passagens estão compradas pelos próximos meses para ir praticamente todos os finais de semana estar com eles.

Não irei.

Ontem, com as primeiras notícias do dia, decidimos que nossa forma de amar seria ficarmos longe.

Infectado? Não sei se estou. Nenhum sintoma diferente da minha rinite matinal. Contudo, posso estar. A imensa maioria dos infectados não sabe se está. Muito doentes não sabem se estão. Algumas pessoas, já morreram, e não souberam que estavam. Os recursos para testagem começam a ser racionados para casos mais graves.

Parece que a única vacina, é realmente estar o mais isolado possível. Ou, manter-se isolado, já que no meu caso, por exemplo, eu já poderia ser um “vetor” de vírus.

Neste momento, nosso carinho, nosso abraço, beijos afetuosos, ou quentes, serão, novamente, o bom dia por vídeo, o “alô” no almoço, alguns “prints”, e mensagens por whats, e um boa noite, cada um em seu Estado.

Não há como negar que em alguns momentos as notícias nos deixam preocupados, com medo. É difícil distinguir a histeria da informação. E mais, estar longe - novamente - nos afeta, nos deixa, no mínimo, tristes.

Quando eu era “guri”, e insistia em nadar no violento mar do Rio Grande do Sul, sempre soube que, em caso de cansaço, ou iminência de um afogamento, o pânico sempre foi mais perigoso que o próprio mar.

Por outro lado, não podemos desafiar o perigo apenas pra provar que somos mais fortes que todos, que tudo, e que o maldito vírus!

Então, apesar de tristes, ou preocupados, nosso compromisso é com tudo aquilo que faremos juntos depois da doença, depois do pânico, depois do caos. Precisamos estar bem, para amparar, para ajudar, para viver tudo que for possível quando as “águas” recuarem, e a reconstrução do mundo começar.

E neste mundo novo, desde agora, estaremos juntos, e então, estaremos também perto!

Definitivamente.

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