Teoria da Conspiração


Nestes dias de isolamento, final de semana assisti uma série sobre a Segunda Guerra Mundial, e algumas agruras do regime Nazista e dos Campos de Concentração. Outrora, havia lido também o comovente livro “O Menino do Pijama Listrado”, além de um ou outro livro sobre a “grande guerra”. Uma das coisas que mais me impressiona é a capacidade que a humanidade tem em ser criativa, inclusive quanto à crueldade. Já naquela época, há mais de 70 anos, se testavam armas químicas e biológicas. Desde a idade média, cachopas de abelhas, vespeiros, são usados como armadilhas cruéis. 

Poderia, afinal, um organismo microscópico, ser uma arma biológica em uma guerra velada?

Por óbvio, permito-me a liberdade quase-poética para escrever uma teoria da conspiração, que encontra eco apenas na minha imaginação. Qualquer semelhança com a realidade é, portanto, mera “quase-coincidência”.

Contextualizando, em síntese, estamos em março de 2020, o mundo vive em pandemia de uma doença chamada COVID-19, causada pelo Coronavírus, um vírus mutante e letal, identificado inicialmente na cidade de Wuhan, na China, epicentro da doença até algumas semanas atrás. Morreram milhares de pessoas, contudo, basicamente de um perfil específico: idosos e imunodeprimidos, característica que se repetiu nos demais países. Hoje, a Itália registra a maior mortalidade e maior incidência de novos casos. Este vírus é transmitido pelas gotículas minúsculas de saliva, ou secreção nasal, dispersas no ar, pela simples fala. Também, tem alta resistência; em algumas superfícies pode manter-se viável por até 9 (nove) dias; além disto, possui uma janela imunológica de até uma semana, de maneira que é possível transmitir o vírus sem que se esteja doente; mais do que isso, boa parte das pessoas serão infectadas e não desenvolverão a doença; estes fatores tornam a COVID-19 altamente transmissível. Atualmente, o Brasil tem mais de 2 mil casos confirmados, ainda que se estime que isso represente apenas 14% do total, já que há quantidade limitada de testes. Temos pouco mais de 50 mortos, seguindo o padrão de concentração no grupo de velhos e doentes prévios. Esta doença é caracterizada por uma agressão severa ao sistema respiratório, causando insuficiência pulmonar. O tratamento, nos casos graves, precisa ser junto a unidades de terapia intensiva de média e alta complexidade, considerando que requer respiradores, brônquio-dilatadores severos, que podem afetar o sistema cardíaco. O conjunto desses fatores faz com que governos do mundo inteiro se mobilizem no sentido de evitar um colapso nos sistemas de saúde – públicos e privados – determinando medidas altamente restritivas de isolamento social, fechamento de fronteiras, restrições do direito de ir e vir, inclusive limitando o comércio, interrompendo o transporte público, toque de recolher, dentre outras. Este é o momento que vivemos agora no Brasil, e não se sabe quando este cenário irá mudar, tampouco se avalia com clareza o impacto econômico e nos empregos das pessoas em médio e longo prazo.

A guerra do século XXI é econômica. O império deste milênio é tecnológico e econômico. Em uma queda de braços entre Estados Unidos e China, as duas principais potências econômicas do mundo, não se imagina uma disputa bélica. O custo militar entre gigantes talvez não fosse suportado pelo planeta. Tenho convicção que já houve simulações de modelos com este cenário.

Mas, a guerra econômica e tecnológica é evidente, clara e reverbera no mundo inteiro.

Na disciplina de Ciências Políticas, lá na faculdade de Administração, na década de 90, fui formalmente apresentado a obra: “O Príncipe”, de Nicolau Maquiavel. Não é por acaso que se trata de um livro obrigatório para se entender política, pré-requisito, para qualquer neófito em ciências sociais. O sobrenome que se transformou em adjetivo: maquiavélico! O ardil, o simulacro, a dissimulação, requisitos para conquistar e manter o poder.

Agora veja, em 2020, “o príncipe” tem ao seu dispor a tecnologia mais avançada do planeta, aliás de todos os tempos e de toda a humanidade; recursos econômicos ilimitados; uma população que beira os 1,5 bilhões de seres humanos – fonte inesgotável de cobaias, e, potencialmente o animus necessário para tomar o poder.

Pensemos numa arma que possa atacar a economia do inimigo; que possa paralisar a produção, que possa causar desemprego, fome, que possa liquidar definitivamente as famílias, que possa instalar o medo, bem ao estilo Sun Tzu!  Uma arma que não demande grandes recursos logísticos para mobilização, que se possa usar o próprio inimigo para transportar, e implantar; bombas microscópicas. Mais do que isso, a força letal teria impacto apenas sobre a parcela menos produtiva da população, seja pela doença preexistente ou pela idade. Lembrando que os inimigos dominados se tornam escravos, agora, sob o comando do “príncipe”. Escravos, ou servos doentes e velhos, são custos desnecessários. Essa arma, seria imbatível, invisível, indomesticável. Não há cura para doenças virais, apenas vacinas. Quando chegarem, será tarde demais. Desistimos das bactérias, porque são seres frágeis diante do antibiótico. Mas, um vírus mutante é invencível, especialmente no curto prazo.

Agora, a grande manobra: serei a primeira vítima! Como ser acusado de implantar uma bomba no coração do inimigo, se feri de morte minha própria carne?

Mera dissimulação. Na visão do “príncipe”, o indivíduo é menos importante do que a espécie, do que o reino. Especialmente um reino com estoque ilimitado de pessoas. Efeito colateral. Ao fim deste ataque, no período de 6 a 12 meses – uma guerra rápida, implacável, avassaladora, o mundo estará de joelhos diante do príncipe que já terá retomado suas fornalhas a pleno vapor. E, melhor, reluzirá resplandecente na alvura de sua inocência.

Trata-se de um xeque-mate. Não há como escapar, ainda que se tenha como verdade toda essa teoria da conspiração, não há como sucumbir ao efeito letal da arma disparada. Agora, resta-nos ficar em casa, isolados, reconhecendo nossa frágil ingenuidade, e esperar a rendição aos novos reis do mundo.

(Há algo pior!... Pode não haver rendição, pode acontecer de que os “xerifes” do mundo imaginem que o novo século se resolve com Colts e Winshesters, neste caso, preparemo-nos pois tempos ainda mais sombrios hão de surgir).




Post Script: é certo que este texto é uma reflexão hipotética e criacionista que pode não ter qualquer amparo com a realidade. Pelo contrário, não seria justo estabelecer uma responsabilização prévia da China, ou pior, do povo chinês, que afinal, seria vítima do “príncipe”, ou da corte. Reitero este cuidado pois vivemos em um tempo de intolerância e julgamentos precipitados. Tudo que não precisamos é alimentar um espírito xenófobo, ou coisa que o valha. Contudo, não posso evitar a reflexão.

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