Que se fodam!
Minha avó tinha uma caderneta preta, com classificação alfabética, de nomes e telefones anotados. Lá, cada nome tinha observações precisas, como da Lourdes, “do Carlinhos”; para que não fosse confundida com a outra Lourdes, a “do José”, por exemplo. Volta e meia, quando a caderneta já estava muito velha, ou tinham muitos telefones a serem atualizados – alguém de letra bonita – precisava anotar tudo de novo, em uma nova. Tarefa árdua, mas muito reconhecida. Poderia valer um bolo de chocolate, ou uma caneca de café e bolachas Maria. Naquela época o aparelho telefônico era conectado por um fio, pesava uns 3kg, e era fixo; ele era dividido em duas partes, o “fone” que ia na orelha e na boca, e a base, que tinha que ficar em uma mesa. Sobre a base, tinha um disco um pouco maior do que a palma de uma mão, com números distribuídos em volta, e era preciso girá-los na medida certa, para que fosse feita uma ligação. Até hoje, amigos da minha geração podem falar “discar”, como sinônimo de...