O amor é incondicional?


Segundo São Paulo, na famosa Carta aos Coríntios, “o Amor jamais desaparecerá!”.  É interessante como que quando pessoas que respeitamos fazem certas afirmações temos uma tendência grave de tratar como verdades absolutas, sem necessariamente refletir a respeito.

Tenho pensado sobre a incondicionalidade do amor. Estabeleci, em determinado momento que o amor só aconteceria na medida de algumas condições, de alguma reciprocidade, afinal, não seria possível amar alguém de forma unilateral, ou amar sem ser correspondido, ou amar sem que o outro nos dê provas concretas do seu amor. Estava partindo de um pressuposto – agora vejo – equivocado de que o amor seria merecimento, e, sendo assim, teríamos que cumprir uma série de requisitos, que por vezes nem saberíamos quais, para que fôssemos merecedores do amor do outro.

Ora, isso é angustiante!

Neste caso o amor seria um prêmio para virtuosos, como diria o Papa Francisco, e não um alimento para os famintos. Pior, seria um prêmio para condutas que nem sempre sabemos quais. Quando falamos no amor entre pessoas, seja na família, ou entre o casal, como saber quais as condutas que fazem o outro lhe amar? E quando alguém cumpre todas as “condutas ideais” e ainda assim não é amado? Então, neste caso, o prêmio em forma de amor não valeria, porque, em alguns momentos ele é “magia”, em outros ele é “reciprocidade”?

Não. Agora vejo com clareza, o amor verdadeiro é INCONDICIONAL.

Só a incondicionalidade do amor pode trazer segurança a qualquer relação. O amor é paz. Como ter paz se diariamente precisamos provar, ou cumprir requisitos incertos para garantir a reciprocidade do amor? E sem ter, ainda assim, a garantia de que receberemos o amor pelo qual tanto se fez para merecer? E apesar de todo este esforço, potencialmente, posso não ser amado?

Sim, o amor é incondicional.

Não fosse incondicional, a pessoa doente ficaria sozinha. Não fosse incondicional, o criminoso não teria visitas. Não fosse incondicional, mulheres traídas não estariam dispostas a perdoar para seguir num casamento. Não fosse incondicional, o mundo seria um poço de angústia.

Sim, o amor é incondicional.

Há casais, casamentos e famílias sustentadas na incondicionalidade de um amor, inclusive, unilateral. O amor de uma parte acaba sustentando uma relação, que perdoa, suporta, acolhe, acalma, supera, aprende e ensina.

Sim, o amor verdadeiro é incondicional.

Precisa ser incondicional. Imagine um casal em que cada um esteja permanentemente preocupado com o que fala, com quem fala, como, ou quando fala. Será que disse o que ela, ou ele, gostaria de ouvir? Será que isto fará ele me amar mais ou menos? Será que ainda assim, serei merecedor do seu amor?

Sim, o amor é incondicional!

Quando nos sentimos verdadeiramente amados, temos espaço para sermos nós mesmos, e nenhum de nós é perfeito. De perto, dizem, todos somos meio feios e loucos. Como ter uma relação com feios e loucos sem amar incondicionalmente. Será a loucura, ou a feiura, condições para a existência do amor?

Quando nos sentimos verdadeira e incondicionalmente amados, não importa como somos vistos, nem o julgamento dos outros, nem se estamos perto ou longe. Não importa se vamos viajar a trabalho, não importa se estamos a muitos quilômetros, o amor é incondicional. Não importa se há outras pessoas mais lindas, inteligentes, ou interessantes, pois o amor é incondicional.

Sim, o amor é incondicional.

Talvez as relações não sejam incondicionais. Talvez, ainda que amemos uma pessoa, a relação com ela não seja possível. Talvez a outra pessoa não nos queira mais, ainda que a amemos. Não significa que deixamos de amar, significa apenas que, inclusive por amor, deixamos ir.

O amor precisa ser incondicional, precisa pressupor o perdão, e precisa ser recíproco! Se incondicionalmente nos amamos reciprocamente, ainda que um ou outro cometa atrocidades, o perdão restaurará o que for necessário para que sobrevenha o amor.

Sim, o amor é incondicional.

A incondicionalidade do amor é um salvo-conduto para passarmos pelas provações da vida, estando tranquilos e em paz, sabendo que do outro lado, alguém nos acena como um farol na neblina. Achei aqui a analogia que me serve.

Em momentos de angústia e aflição, nas atribulações da vida, estamos como que envoltos em denso nevoeiro. Quando não temos um amor, ou quando precisamos atender as expectativas do outro para nos sentirmos amados, é como se precisámos percorrer este caminho no nevoeiro, e só depois de vencer à densidade das nuvens é que seríamos amados.

Contudo, o amor verdadeiro não impõe condições. Ele é o farol no nevoeiro, ele é o guia, estou aqui, ainda que você esteja perdido. Estou aqui para ser encontrado, estou aqui para e por você.

Já falei que escrevo em caráter terapêutico, para opinar e refletir. Às vezes vou construindo conceitos e propósitos ao longo das linhas. Isso me acalma.

Eis, portanto, um novo propósito, construído nestas páginas. Quero amar INCONDICIONALMENTE. Quero ser amado INCONDICIONALMENTE. Quero um amor que me receba como sou, com meus profundos defeitos, mas, com minhas imensas virtudes. Quero ser o farol na neblina, e quero um farol que me ilumine.  Sim, agora tenho certeza, o amor verdadeiro, aquele que se sente no fundo do coração e da alma, é INCONDICIONAL.

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