10 dias - Manual de boas maneiras para recém-nascidos
Meu filho,
Hoje vamos para o último ultrassom! Papai vai estar lá, querendo te medir, te espiar. Na próxima vez que eu for te ver, já vai ser direto: sem filtro, sem tela, sem a pele da mamãe no meio.
Nada de ter as alergias que o papai tinha, e muito menos aquela falta de ar de asmático. Não estamos ainda em maio, na úmida e fria capital do Rio Grande.
Importante: sempre que o papai te pegar no colo, sorri! E a primeira palavra tem que ser qual? Papai, claro! Vai ser “papai”, né, filhote?
É bom ficares firme logo, estou louco pra te jogar pra cima, pra te colocar no meu pescoço, pra te jogar no alto e te apanhar aqui embaixo. E vou ouvir tuas gargalhadas! Antes disso, vais rir de cócegas quando eu imitar puns na tua barriga, assoprando com a boca, ou quando brincarmos de esconde-esconde com uma toalha qualquer.
Vou providenciar uma bicicleta nova, colocar um banquinho na frente, e vamos tu, eu e o Lucca desbravar as ruas da cidade ou a avenida em frente ao mar. O Brian, provavelmente, vai preferir outros exercícios.
Preciso das ferramentas do biso pra fazermos um carrinho de rolimã. Puxa, ainda não consegui fazer pro Lucca. Temos que correr com isso, Mateo! Tem uma lomba bem legal pra descer aqui perto de casa.
Depois que escrevi tudo, me dou conta de que ainda falo contigo como se estivesses aqui. Quando leres isso, meu filho — e não será uma única vez, imagino — saberás que teu pai falava contigo mesmo antes de te ver.
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