26 dias - Mais um textinho da mamãe
Oi, amorzinho da mamis,
Vai se acostumando, meu filho… é assim que a mamãe costuma falar, kkk.
Hoje também resolvi escrever, pois é um dia especial: seu irmão mais velho, o Brian, está de aniversário. E aí você vai me questionar: “As cartas não são pra mim? Por que falar do Brian?”
Pois é, meu filho… foi com o Brian que aprendi a ser mãe.
Há dezesseis anos, vivi o melhor e o pior dia da minha vida ao mesmo tempo. A gestação do Brian foi tranquila, desejada e muito esperada — assim como a sua. Porém, no dia do nascimento, a mamãe optou por um parto normal e, como seu pai sempre diz, toda escolha envolve uma renúncia. Renunciei à praticidade e à segurança de uma cesárea em prol da naturalidade do parto normal, e as consequências disso foram difíceis: seu irmão teve uma parada respiratória. Eu não o ouvi chorar, não tive o golden hour (hora dourada) e não consegui amamentá-lo de imediato.
Na verdade, passei os sete primeiros dias de vida dele imersa em uma intensa e dolorosa crise de culpa, medo, desespero e dor. Fisicamente eu estava bem, saudável, mas mentalmente me sentia destruída pelo medo e pela culpa.
A culpa é um sentimento que muitas mães carregam, pois quase sempre achamos que estamos errando com nossos filhos. Isso é ainda mais comum entre as mães “plurais”, aquelas que não abdicam de todas as suas outras versões para serem mães. Há quem abdique de tudo — mas sua mãe não é assim.
Nesses dezesseis anos sendo mãe, também sou mulher, com minhas vaidades, frescuras e desejos; sou profissional, com desafios, derrotas e conquistas; sou dona de casa, com roupas, louças e problemas do dia a dia; sou esposa, com respeito, renúncias, desafios e amor; e sou mãe, com erros e acertos, mas sempre com todo o meu amor.
Escrevo tudo isso para que você saiba que, apesar de todas as aflições que um coração de mãe carrega, eu não trocaria nada. Agradeço a Deus todos os dias por ter me dado vocês: o Brian, o Lucca e você.
O Brian passou por tudo isso como um verdadeiro vencedor. Ele é um menino genial, inteligente, tranquilo, estudioso e dedicado a tudo o que se propõe a fazer. Você terá muito orgulho do irmão que tem — assim como terá do Lucca. E não pense que, por eu falar menos dele neste texto, não tenha vivido grandes desafios também. Com o tempo você vai perceber: ele é um fofo. Seu pai já deve ter te contado algumas histórias dele.
Enfim, você tem irmãos incríveis, um pai muito especial e uma mãe que faz o melhor que pode: cheia de erros e defeitos, mas transbordando amor.
Te amo!
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