27 dias - O que ainda falta?

Meu filho,

Hoje é dia primeiro de fevereiro de 2026. Inauguramos o mês em que você muito provavelmente irá nascer. Ir além do dia 28 pode representar um risco para ti e para a mamãe.

A ansiedade começa a aumentar dia após dia. Na semana que passou, fomos até a médica, fizemos um novo ultrassom. Você está lindo, apesar de estar cada vez mais apertadinho dentro da barriga.

Você é uma criança grande. Imagina: tu já estás com o peso do Lucca quando nasceu, e ainda teremos mais três ou quatro semanas de “cozimento” dentro do forninho da mamãe.

Não vejo a hora.

Fico imaginando cada etapa do processo do teu nascimento, mas é algo para o qual eu não tenho nenhum preparo, nenhuma experiência anterior, nenhum conhecimento. Nada.

Todos os dias, a vovó me manda um post diferente no Instagram, e o algoritmo continua a me mandar milhões de informações — algumas convergentes, outras nem tanto.
Vira o bebê assim!
Outro vem e diz: vira o bebê assado.
Não, ao contrário, melhor frito, ou cozido, ou empanado.

Na verdade, a minha esperança é que, pelo menos na maternidade, eu consiga acompanhar minuto a minuto a rotina da equipe: da médica, das enfermeiras, do pediatra. Como irão te pegar, te virar, te limpar, te vestir. Vou ficar atento ao curso expresso de cuidados com recém-nascidos.

Se o aprendizado vem pela intensidade e pela repetição, vamos começar pela intensidade. Acho que nada pode ser mais intenso do que o nascimento de um filho. Depois, consolidaremos com a repetição: banhos, fraldas, cólicas, choros e outras coisas que eu pretendo aprender com a experiência da mamãe.

O papai está apostando na experiência da mamãe. Nas instruções da mamãe. Minha coach pessoal no que diz respeito aos procedimentos e às rotinas com um pequeno-grande bebê.

Por aqui, está quase tudo pronto. Quase. Ainda falta alguma coisa. Não sei o que falta, mas sei que falta. Pergunto pra tua mãe, ela descreve uma coisa ou outra. Faço uma lista mental. Já falei que perco sempre minhas listas mentais. Dou-me conta de que é a mamãe que está no comando. Geralmente é ela.

Mas o que falta?

Ela já organizou uma porção de coisas: malinha, roupinha, primeira troca, segunda troca, fraldas, lenços, cremes, absorventes para o seio (nunca imaginei que houvesse isso). Ela é fantástica, filho. Deixou separado, identificado, cada etapa — até a roupa com que sairás da maternidade. Pode?

Puxa… eu me sinto navegando na neblina. Aliás, qualquer dia te conto sobre o dia em que naveguei, de fato, na neblina, lá no Guaíba.

Ainda não sei o que falta. Talvez eu nunca saiba. Ou talvez saiba que sempre faltará alguma coisa.

Exceto quando tu chegares.
Aí, não faltará mais nada.

Te amo.

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