27 dias - O que ainda falta?
Hoje é dia primeiro de fevereiro de 2026. Inauguramos o mês em que você muito provavelmente irá nascer. Ir além do dia 28 pode representar um risco para ti e para a mamãe.
A ansiedade começa a aumentar dia após dia. Na semana que passou, fomos até a médica, fizemos um novo ultrassom. Você está lindo, apesar de estar cada vez mais apertadinho dentro da barriga.
Você é uma criança grande. Imagina: tu já estás com o peso do Lucca quando nasceu, e ainda teremos mais três ou quatro semanas de “cozimento” dentro do forninho da mamãe.
Não vejo a hora.
Fico imaginando cada etapa do processo do teu nascimento, mas é algo para o qual eu não tenho nenhum preparo, nenhuma experiência anterior, nenhum conhecimento. Nada.
Na verdade, a minha esperança é que, pelo menos na maternidade, eu consiga acompanhar minuto a minuto a rotina da equipe: da médica, das enfermeiras, do pediatra. Como irão te pegar, te virar, te limpar, te vestir. Vou ficar atento ao curso expresso de cuidados com recém-nascidos.
Se o aprendizado vem pela intensidade e pela repetição, vamos começar pela intensidade. Acho que nada pode ser mais intenso do que o nascimento de um filho. Depois, consolidaremos com a repetição: banhos, fraldas, cólicas, choros e outras coisas que eu pretendo aprender com a experiência da mamãe.
O papai está apostando na experiência da mamãe. Nas instruções da mamãe. Minha coach pessoal no que diz respeito aos procedimentos e às rotinas com um pequeno-grande bebê.
Por aqui, está quase tudo pronto. Quase. Ainda falta alguma coisa. Não sei o que falta, mas sei que falta. Pergunto pra tua mãe, ela descreve uma coisa ou outra. Faço uma lista mental. Já falei que perco sempre minhas listas mentais. Dou-me conta de que é a mamãe que está no comando. Geralmente é ela.
Mas o que falta?
Ela já organizou uma porção de coisas: malinha, roupinha, primeira troca, segunda troca, fraldas, lenços, cremes, absorventes para o seio (nunca imaginei que houvesse isso). Ela é fantástica, filho. Deixou separado, identificado, cada etapa — até a roupa com que sairás da maternidade. Pode?
Puxa… eu me sinto navegando na neblina. Aliás, qualquer dia te conto sobre o dia em que naveguei, de fato, na neblina, lá no Guaíba.
Ainda não sei o que falta. Talvez eu nunca saiba. Ou talvez saiba que sempre faltará alguma coisa.
Te amo.

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