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Mostrando postagens de 2020

Sobre Bravatas

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Certo dia, o “patrão” do Movimento Tradicionalista Gaúcho, em reunião com os patrões dos diversos rincões do Estado do Rio Grande do Sul, decidiu por reiniciar o movimento separatista farroupilha, e enviou documento ao Comandante Geral do Exército Brasileiro, impondo a independência da República Farroupilha. A carta, dizia algo assim: “Tchê! Nos reunimos aqui no Rio Grande e decidimos que não queremos mais fazer parte do Brasil. Se tu quiseres, vamos à guerra. Temos aqui 12 mil cavalarianos, 6 mil lanceiros, um bocado de revólveres, e o sangue farroupilha nas nossas veias!” Resposta do Comando do Exército: “Ilustríssimo Senhor, recebemos sua manifestação e entendemos que o Rio Grande do Sul não pode se separar. Estamos preparando as forças armadas com 60 mil homens em posições de cavalaria e infantaria; 6 mil blindados; fuzis, metralhadoras, lança-mísseis; 16 caças M16, e todo o aparato do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, caso entenda-se pela guerra.” Resposta do Movimento Separa...

Te vejo!

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Ah Garota, Como eu gosto de repousar meu olhar nos teus olhos, quando distraída, fala de uma ou outra coisa. Como gosto de ver teu sorriso, aliás, todos os teus sorrisos e risadas. Algumas a plenos pulmões, outras apenas com o canto da boca. Sorrisos que eu via sem ver. Sorrisos que ouvi. Sorrisos com os olhos. Como gosto de olhar ao teu lado o horizonte que se estende pelo mar, ou pela estrada, ou pelas ruas da vizinhança enquanto caminhamos, e conseguimos, juntos, ver coisas que ainda não estão ali. Como gosto de espiar contigo por entre as frestas dos prédios, o sol que se põe, ou a lua que surge. Como gosto de ficar assim, te decorando, todas as tuas partes, tua pele, tuas perfeições e teus defeitos perfeitos. Como gosto de ver o teu calor, que não vejo com os olhos, mas que sinto na pele, que ouço na voz – levemente rouca, que me derrete desde sempre. Aliás, como gosto de ver tua voz, que vejo ao escutar, com cores. Sim, cores diferentes conforme ...

Registros

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Era pouco mais de onze da noite quando as rodas do avião tocaram no solo. Era muito tarde para quem estava a semana inteira observando os ponteiros se arrastarem lentamente pelo relógio. A gestão da ansiedade passou a ser um dos meus principais desafios desde que estamos juntos. Ela estava displicentemente recostada num dos pilares do novo e lindo saguão do aeroporto Internacional de Florianópolis. Ela sorria com os olhos. Como sempre. É por esse olhar, esse olhar de lado, meio que de baixo pra cima, com um sorriso leve, que as vezes se abre de uma maneira inacreditável que eu me apaixonei. Não resisto. Restou-me envolver os braços pela sua cintura. E tirá-la do chão. E antes que ela pudesse tocar novamente o ladrilho encerado, sentiria o calor e a umidade dos lábios. Quentes e doces. Não precisávamos falar sobre o que havia acontecido com um ou com o outro. Sobre poucas coisas não havíamos conversar ao longo da semana. Estamos longe por alguns dias, mas, jamais estamos dis...

Pílula

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Da série sabedoria em pílulas, disponíveis em surpreendentes e pequenas oportunidades: "A consciência do dever cumprido infunde em nossa alma uma doce alegria."  (Biscoito da Sorte - China in Box)

Primeiro voo

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Em algum momento estávamos deitados na cerâmica quente, num dia de verão, observando o céu. Talvez, a mangueira estivesse aberta, e a água refrescava um pouco o escaldante verão portoalegrense. Provavelmente algumas brincadeiras já tinham se esgotado, e nós também.  Eu era um guri, mas eles, quase bebês. Ali, sem qualquer compromisso, encontrávamos histórias inteiras nos desenhos que imaginávamos nas nuvens. Fazíamos apostas em qual se moveria mais rápido, e observávamos dragões, rostos, castelos e todos os tipos de formas que três crianças poderiam imaginar. Eram tardes inteiras dedicadas à infância, que incluía a leitura diária, a redação, e os deveres. Os oito anos que nos separavam na idade não importavam na maioria do tempo, exceto quando eu era contrariado, e ser maior e mais forte - naquela época - fazia com que meus irmãos sofressem um pouco. infelizmente, foi por pouco tempo. Na “parede da memória” estes dias poderiam ocupar mais espaço. Antes disso, lembro do cheiro d...

Perto da Hélice

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Perto da hélice, bem perto da hélice! Era verão de 2005 quando tomei nas mãos o livro Rota 66, do jornalista Caco Barcellos, que abordava os excessos do pelotão de elite da Polícia Militar de São Paulo, o Rota. Na mesma época, outro livro também passou por mim: Elite da Tropa, que inspiraria mais tarde o filme “Tropa de Elite”, sucesso de bilheteria e de crítica. Há alguns anos tive a oportunidade de assistir uma palestra do Rodrigo Pimentel, ex-oficial do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro, o BOPE, e um dos autores do Elite da Tropa. Eu estava nos primeiros semestres da Faculdade de Direito, e em um dos exercícios, nossa tarefa era simular um debate jurídico entre ser ou não a favor de temas polêmicos. Acabei ficando com “Pena de Morte”. Era, e continuo sendo contrário ao método. Na época, um bando criminoso assaltou uma família no Rio de Janeiro, a mãe fugiu, mas o menino João Hélio, de apenas 6 anos ficou preso pelo cinto de segurança, p...

Carta ao Quintana

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São Paulo, 12 de maio de 2020. Quintana, Escrevo-te numa manhã estranha, desde a capital paulista. Por sorte, não viveste os tempos que estamos experimentando. Estarias isolado, sem poder circular na Rua da Praia, ou fumar teus cigarros na praça. A despeito do que poderias imaginar, estou em perfeito estado de saúde, e penso que onde quer que estejas, também, já que estas preocupações prosaicas já não são tuas. Li o que escreveste (ou disseste), sobre o fato de não teres jamais casado: “ prefiro ser a esperança de muitas, do que a desilusão de uma só !”. Como sempre, espetacular, lindo, sábio, prudente. E covarde! Covarde, Mário! Arrogante, Mário! Para um poeta que descreveu tão bem amores e inquietudes da alma, como teus contemporâneos, fostes machista, Mário!  Sim, eu sei! É de uma ousadia absurda contestar-te, o saudoso e imortal Mário Quintana! Mas, tenho meus argumentos. O primeiro é quanto à covardia. Esgueirar-se das vicissitudes do amor por medo de de...

Nos vemos a noite!

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À noite, quando o mundo silencia, e o céu é mais escuro, a fina névoa do final de outono se ergue sobre o asfalto e, por entre o concreto gelado, o ar frio que precede o inverno parece ser ainda mais sombrio. Olho pela vidraça e as luzes fracas da metrópole se distorcem na condensação da janela. Parece quem nem mesmo as almas e os fantasmas da noite circulam pela cidade. Meus pensamentos vagam ora aqui, outra ali, percorrendo a linha fina do tempo, sem que eu consiga definir o que é lembrança e o que é desejo. Sinto o hálito alcoolizado de um licor que eu não tomei. Sinto o calor da pele que não está aqui. Minhas mãos querem te tocar e encontram apenas o vazio sobre os lençóis. O tempo que se arrasta lentamente nessa noite, e escorrerá cruelmente entre os dedos quando estivermos juntos. A única constante nesta equação exponencial de sensações, portanto, é, mais uma vez, a saudade. Talvez, saudade de coisas que não foram experimentadas, talvez até do que não foi meu....

Dois pra lá, dois pra cá.

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A festa estava cheia. Quando entrei, do outro lado do salão, no meio de tanta gente, ela me olhou. Nos olhos. E sorriu. Sorriu e baixou a cabeça, deixando os cabelos caírem-lhe no rosto, simulando timidez. Era um evento corporativo, estávamos celebrando os muitos desafios superados ao longo daquele ano. Como sempre, eventos da empresa, também fazem parte do trabalho. Precisávamos circular, cumprimentar as pessoas, colegas em comum. Ela de um lado, eu de outro. Rastreávamos um ao outro. Percebia o olhar dela em mim, justamente porque não conseguia tirar os olhos dela também. Algumas fotos aqui, outras lá. Finalmente, uma nossa. Simulação de um encontro acidental, quando nos cruzamos no cenário adequado. “ Finger foods ”. Esse era o sistema do jantar. Ficamos próximos enquanto a cerimônia seguia seu protocolo. Trabalhamos juntos há muitos anos e sempre tivemos entre nós admiração e respeito. E confiança. Comentávamos e falávamos sobre tudo. E, como sempre, ela sorria. E o s...

Mais uma de páscoa

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A história da Páscoa que celebramos no domingo começa amanhã, Sexta-feira Santa, feriado para nós e para a maioria do mundo. Ela conta sinteticamente o seguinte: “Depois de ser julgado e condenado pelo ‘lavar de mãos’ de Pilatos, Jesus teve uma coroa de espinhos enterrada sobre a cabeça, foi açoitado e teve de levar a própria cruz ao monte onde seria executado aos olhos do povo. Até chegar lá, caiu por três vezes.   Foi pregado à cruz, e às três da tarde, o véu do tempo se partiu, e ele expirou pela última vez. Foi sepultado, e ao terceiro dia, cumpriu as escrituras, provou sua divindade, e mudou o mundo, tendo ressuscitado dos mortos.” Não importa se você acredita ou não nesta história. Isso é escolha de cada um. Uma questão de fé. Apenas permita-se a reflexão! A vida pode lhe enterrar espinhos, lhe açoitar, lhe fazer cair, inúmeras vezes. Mas, o sofrimento acaba! Mesmo que seja com a morte. E talvez seja importante deixar morrer algumas coisas mesmo, como a cr...

Páscoa Cristã

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De todos filósofos e pensadores, desde a Grécia antiga, até à modernidade, aquele que mais me influencia e serve de modelo e inspiração é Jesus Cristo. É interessante pensar que nenhum dos seus ensinamentos foi escrito por ele próprio. A doutrina cristã é atribuída a quatro evangelistas: João, Mateus, Marcos e Lucas, curiosamente, um médico grego que não teria conhecido pessoalmente Jesus. Mais do que isso, é possível que a história tenha sido adaptada ao longo destes 2 mil anos de quando se imagina que Jesus tenha vivido. Portanto, o que se conhece – e se aprende – são os relatos sobre alguém que sim me serve de modelo definitivo. Isso me torna um cristão, um seguidor de Cristo. Por outro lado, sempre me considerei um sujeito amante da razão e do pensamento. A mente humana é absolutamente incrível, seja na sua dimensão individual, ou enquanto pensamento coletivo. E por muitas vezes, confesso, nas minhas crises de fé, apesar de entender que a presença de Cristo no mundo é ci...

Bigorna do Além

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Há quem diga que a crise nos fortalecerá, que estaremos mais fortes quando a vida voltar ao normal. Depende. Essa crise colocou as pessoas em casa, tornou contratos mais lenientes e permissivos, e tem (atirem-me as pedras) tornado as pessoas mais “moles”. O estresse parece, mais uma vez, estar especialmente nos empresários, pequenos empreendedores e autônomos, que receberam uma bigorna na cabeça vinda do “Além”. Ou melhor, da China. Para empregados de grandes empresas e, sobretudo, funcionários públicos, parece-me que a crise tem sido uma grande possibilidade de férias em família. Obviamente, toda generalização tende a ser injusta, fato. Mas, ela é ilustrativa, provocativa, e, sobretudo, reflexiva. Penso que as empresas devem esticar a corda neste momento, aquecer as fornalhas, colocar seus empregados para estudarem, estabelecer metas ainda mais duras de formação e de conhecimento, fazer tudo que é importante, que normalmente fica para ser tratado apenas quando passa a ...

Dia dos bobos

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O ser humano é, talvez o mais irracional dos animais. Não há qualquer racionalidade em se instituir um dia para a “mentira”, ou talvez “o dia dos bobos”. Não seríamos só por isso, todos meio bobos? Toda a ação de qualquer outro animal tem a intenção deliberada de sobrevivência ou perpetuação da espécie. Nós, “ sapiens ”, não. Inventamos propósitos, criamos, construímos, matamos. Amamos. Só nós, humanos, estamos preocupados em ser felizes. E criamos um dia para a mentira. Talvez porque, de verdade, só a própria mentira seja verdadeira. Há, obviamente, um sentido todo filosófico para isso. Por exemplo, há quem confunda verdade com honestidade. Mas, não são sinônimos? Quem mente, é desonesto, ou só o mentiroso quem é? Onde está a verdade dessa afirmação? “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Palavras atribuídas a Jesus, o Cristo. Para o budista, Jesus é um mentiroso, assim como todos os cristãos. Ou teriam apenas uma verdade diferente da sua? Uma verdade diferente, não é tamb...

Trechos

DEUS "Para o ateu, Deus, é uma ficção humana. Para o religioso, é o homem quem é uma ficção divina. Nem o primeiro nega a existência de Deus, nem o segundo nega a existência do homem. Parece ser uma questão de origem, e propósito." VELEJAR "Teu olhar ainda brilha, quando fecho meus olhos. É meu farol na escuridão. É a luz do teu sorriso. Para onde aponto minha proa; Seguro meu leme e caço minhas velas." GRATIDÃO “Obrigado Senhor meu Deus, pelo amor na minha vida! Obrigado, sobretudo, por ser o amor na vida do meu amor!” DISTANCIAMENTO "Ao contrário do que se tem dito, não é importante um distanciamento social, ou humano; ele precisa ser meramente físico." ESCOLHA "Quando votamos para escolher entre o Mr. Burns e o Homer Simpson, ficamos entre o ladrão e o idiota. Por um lado nos faltaria decência, por outro, sobra estupidez." ANATOMIA "Resta ainda saber se o órgão mais sensível do corpo humano é o pu...

O Homer se infectou

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Acho, e neste caso só acho mesmo, que o presidente foi infectado pelo novo coronavírus. E por essa sorte que acode os incautos, as crianças e os loucos, ele não adoeceu. Tornou-se um portador assintomático. Ando flertando com teorias da conspiração, num exercício ficcional de explicar o inexplicável. E neste caso, a própria ficção pode ser incapaz de ilustrar. Mais de quinze membros da comitiva presidencial, que viajaram no mesmo avião, preencheram os mesmos espaços confinados, e privaram de momentos com o presidente da república, foram contaminados. Então, ele fez o teste, e constatou-se não ter sido infectado. Estranho, muito estranho! Não seria um alarde imenso o próprio presidente “Rambo-ChuckNorris-DuroNaQueda” estar doente por um “viruzinho”? Ora, será que para a cúpula militar do trovão verde (oliva) amarelo não seria possível dissimular “justificadamente” um exame laboratorial? Ele se infectou! E não ficou doente! E foi para a TV como o próprio Superman tupin...

Criador ou Criatura

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O ateu acredita em Deus! Sim, como poderia negar? Pra ele, Deus não é Criador, É criatura! Deus não criou o homem; O homem quem O criou; Um velhinho, Em sua alvura! Como uma bela  canção, Um poema ou sinfonia!... Que não existe, Exceto para quem ouvia! E a canção fez sorrir, E fez dançar...e fez chorar. Como Deus, Até alguém Lhe escutar! Então, Deus é Criador. Até pra quem acredita, Que Ele é só criatura! Porque do Seu som, Que não existia, Faz-se o afago, a esperança, E um pouco até de alegria. E se Ele existir, Como hipótese do infinito, Como explicação do inexplicável, Pode ser Criador, ou Criatura? Se for só criação, Etéreo e abstrato, Artístico ou científico, De que importa? Mas, eu fico curioso; Se Deus foi só criado, Quem criou, afinal, O criador da Criatura?

Ironia

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Estamos há pouco mais de 30 dias do primeiro caso da Covid-19 no Brasil. Caso você esteja lendo isso no futuro, basta ler um dos meus últimos posts para ter uma contextualização do que se trata. As ações do governo, e o pânico instalado em função da alta taxa de contágio da doença têm nos colocado à beira do caos. É muito difícil avaliarmos qual a conduta correta. Se por um lado o isolamento social, a reclusão doméstica, o fechamento do comércio, e a quase-suspensão da vida parecem ser medidas de desaceleração da doença, por outro, milhares de outras vidas parecem ser afetadas porque simplesmente dependem do “ giro da roda ”. Talvez caiba uma reflexão muito mais profunda, filosófica, e prática para definir se o órgão mais sensível e importante do ser humano é o pulmão, afetado pelo coronavírus; o coração, afetado pelo amor; ou o “bolso”, neste momento, afetado pela completa inativação forçada da vida social, comercial e industrial do país. A despeito disso, chamo atenção ...

Teoria da Conspiração

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Nestes dias de isolamento, final de semana assisti uma série sobre a Segunda Guerra Mundial, e algumas agruras do regime Nazista e dos Campos de Concentração. Outrora, havia lido também o comovente livro “O Menino do Pijama Listrado”, além de um ou outro livro sobre a “grande guerra”. Uma das coisas que mais me impressiona é a capacidade que a humanidade tem em ser criativa, inclusive quanto à crueldade. Já naquela época, há mais de 70 anos, se testavam armas químicas e biológicas. Desde a idade média, cachopas de abelhas, vespeiros, são usados como armadilhas cruéis.  Poderia, afinal, um organismo microscópico, ser uma arma biológica em uma guerra velada? Por óbvio, permito-me a liberdade quase-poética para escrever uma teoria da conspiração, que encontra eco apenas na minha imaginação. Qualquer semelhança com a realidade é, portanto, mera “quase-coincidência”. Contextualizando, em síntese, estamos em março de 2020, o mundo vive em pandemia de uma doença chamada ...

Tempos sombrios

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A doença chegou. Foi distante, era deles. Dos outros. Agora chegou. Tempos sombrios. O abraço ficou adiado. O beijo ficou suspenso. O olhar, apenas por telas. O perfume, só na memória. A voz embala meu sono a distância. E o desejo? Uma saudade. Constante. A doença chegou. Não aqui na minha porta. Não aqui dentro de mim. Mas, chegou. Tempos sombrios. No horizonte, a linha ficou curva. O voo, não decola. O barco, não solta amarras. As fronteiras, agora, internas. Estranhos, na porta ao lado. Estrangeiros, da mesma pátria. Dos mesmos pais. A sala, virou um mundo. E o mundo é todo este. Entre quatro paredes. A sós. A doença chegou. Nos prendeu soltos. Acorrentados, sem correntes. O medo nos assombra. Tempos sombrios. Juntos, e sós! Jamais. Melhor juntos. Pra sempre. Mas, sós. Por enquanto. Paradoxo imposto. Pelo amor, se afasta. Para proteger, isolamos. Será lá, na linha curva do horizonte. Que fi...

Acabaram!

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Do ponto de vista evolucionista, o objetivo de uma espécie é perpetuar-se. Conseguir multiplicar-se na maior escala possível é o ápice da evolução. Em termos de animais complexos, nenhuma espécie é tão bem sucedida quanto as galinhas. Sim, estima-se que no mundo haja pelo menos 25 bilhões de galinhas. Enquanto espécie, absolutamente bem sucedidas. Enquanto indivíduos, as galinhas são miseráveis. O  sapiens  transformou a galinha em mero fornecedor de proteína barata. Longe de mim me tornar um defensor ou um ativista dos galináceos, pelo contrário, minha preocupação é com os ovos. Veja, se é verdade que são 25 bilhões de galinhas no mundo, quantos ovos não-fecundados hão de haver? Aqueles ovos mal passados, como “olhos” amarelos aguardando ansiosos para serem estourados numa fatia quente de pão. Quantos haveriam? Quantos ovos haveriam para nos permitir a omelete salvadora num dia de geladeira vazia? Zilhões! Ovos sempre me pareceram de produção infinita. Ovos jamais irã...

Efeitos da "Doença"

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Estou a trabalho em São Paulo. Vim antes da doença. Precisei estar enquanto a doença começou, quando as restrições começaram. E quando ainda não eram tão sérias. Aqui é o epicentro no Brasil, nestes primeiros dias. Minha família está em Porto Alegre, minha noiva, com os filhos, em Florianópolis. Minhas passagens estão compradas pelos próximos meses para ir praticamente todos os finais de semana estar com eles. Não irei. Ontem, com as primeiras notícias do dia, decidimos que nossa forma de amar seria ficarmos longe. Infectado? Não sei se estou. Nenhum sintoma diferente da minha rinite matinal. Contudo, posso estar. A imensa maioria dos infectados não sabe se está. Muito doentes não sabem se estão. Algumas pessoas, já morreram, e não souberam que estavam. Os recursos para testagem começam a ser racionados para casos mais graves. Parece que a única vacina, é realmente estar o mais isolado possível. Ou, manter-se isolado, já que no meu caso, por exemplo, eu já pod...