Montanha Russa Gerencial

O cotidiano de um gestor é semelhante a uma Montanha Russa. Altos e baixos. Podemos estabelecer infinitas analogias com este brinquedo. Subimos devagar, devagar, devagar. Teque-teque-teque. Parada. Despenca. Sobe rapidamente. Loopings. Pernas pro ar. Estômago nas costas. Tensão. Alívio.

Isso acontece com nossos resultados, com o nível de motivação de nossas equipes, com nosso nível de tensão, com as contingências a serem resolvidas, com as questões associadas ao “fator x”.  Lembro que “fator x” é como batizei aquele elemento desconhecido, inerente ao ser humano, que sempre pode se revelar e nos surpreender, de forma positiva, ou negativa. Escrevi sobre isto um tempo atrás.

O fato é que nossa rotina é justamente a não-rotina. Precisamos nos adaptar às necessidades do momento, da equipe, do cliente, da empresa. Estejam no ápice, estejam no vale. Há momentos de distribuir flores e chocolates; há momentos de disparar chumbo quente!

Não há restrição em relação às flores! Mas, muito cuidado com o manuseio das armas. Não podemos nos permitir balas perdidas – podemos acertar inocentes, e perder ótimos profissionais. Às vezes é preciso ser firme, e atacar com força alguns pontos, não restam dúvidas. Contudo, o gestor precisa ser um sniper, um atirador de elite, precisa do tiro único e certeiro. Disparar a esmo, como um gangster, com o dedo trancado no gatilho da metralhadora, pode custar muito caro para a equipe, e para a organização.

Atenção. Quando ferimos alguém acidentalmente, e esta pessoa nos dá a oportunidade de nos desculpar e curar suas feridas, ótimo. O problema, é que, muitas vezes, ferimos de morte! Ou pior, ferimos a capacidade da pessoa de nos falar, de nos dar oportunidades de melhoria, de nos dar feedbacks. E isto pode ser fatal, especialmente para o próprio gestor.

Não á fácil perceber isto. E não podemos apenas ser gestores que distribuem flores e unguentos.  Eventualmente, precisamos chacoalhar a equipe, incendiar, colocar combustível e provocar faíscas. Em outros momentos, precisaremos extinguir incêndios, conter chamas.

Qual é a medida? Qual é a dose certa? Quando que o remédio torna-se o veneno?

Este é o desafio, aprender, ou desenvolver a habilidade de perceber a equipe, e sentir o time, e de agir de acordo com a necessidade específica deste time. 


Andar na Montanha Russa é uma aventura restrita. Não é para todos. Gerenciar pessoas também não.

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