39 dias - Chá de Fraldas

 

Meu filho,

Deixa eu te contar: no sábado, lá em casa, finalmente recebemos nossa família e nossos amigos para o teu Chá de Fraldas. Eu já tinha te dito, dias atrás, que a mamãe estava às voltas com o planejamento e a organização desse encontro.

A ideia inicial desse tipo de evento é angariar fraldas e ajudar a família nos primeiros dias do novo integrante. Mas nada disso. O que realmente fizemos foi celebrar e compartilhar a nossa felicidade — abrir a casa, abraçar quem nos quer bem.

E, claro, recebemos muitas fraldas e mimos que demonstram o carinho que tanta gente já sente por ti.

Dividimos os salões lá do prédio: os homens em um, as mulheres em outro. Aqui no nosso, só balbúrdia, cerveja e conversas soltas. Lá no delas… bem, lá é com a mamãe: brincadeiras, jogos, brindes, atividades que eu reconheci do planejamento que acompanhei de perto.

Vieram amigos de longe, que viajaram horas para estar conosco e voltar no mesmo dia. Vieram amigos de perto, para quem bastou pegar o elevador.

Vieram teus manos.
Veio o vovô e a vovó.
Todos os titios, de lá e de cá.
O dindo e a dinda.
Os primos distantes, os primos irmãos.
Os amigos de agora, os amigos de uma vida.

Não vieram todos, claro. Mas veio uma amostra estatística do que importa: pessoas que, de algum modo, fazem ou fizeram parte da nossa história.

E que farão parte da tua também.

Sabes, meu filho, em cada pessoa eu reconhecia uma história especial de carinho, amizade e, por que não, de amor. Os homens, no geral, não falam muito sobre amor. É uma palavra complexa, por mais simples que pareça. Os homens têm dificuldade de confessar amor uns pelos outros.

Amar é muito mais simples do que dizer que se ama.

Vais perceber isso. Enquanto fores criança, falarás com alguma facilidade — espero — que amas o papai e a mamãe, por exemplo. Adolescente, jovem e até adulto, irás ponderar muito mais essa confissão. No fim, vais perceber que nunca terás dito o suficiente que amas as pessoas que realmente valiam a pena.

E, nesse dia, Mateo, eu reconheci, ainda que silenciosamente, o amor que sinto não só pela mamãe e por ti, o que é quase uma obviedade, mas também o amor que sinto pelos teus irmãos, pelo vovô, pela vovó, pelos titios, pela prima, pela nossa família, pelos nossos amigos. Acho que a tua presença tem me deixado meio molenga. Acho que serei capaz de dizer “eu te amo” com mais facilidade.

Vais reconhecer esse dia no teu álbum. Muitas fotos foram tiradas, registrando algumas das coisas que fazíamos enquanto tu ainda não vinhas, capítulos do nosso antes, já escritos pensando no teu depois.

Te amo!

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