55 dias - Manhã de Domingo

 


Meu filho,

Eu gosto das manhãs de domingo.

Há um silêncio particular nas manhãs de domingo.

Em alguns dias, o sol surge lentamente pelas frestas da persiana, avançando sobre a roupa de cama e me convidando a aproveitar o dia. Em outros, a chuva desenha lágrimas no vidro, me empurrando de volta para o calor dos lençóis e para o abraço preguiçoso da mamãe.

E esse silêncio…

Parece que o mundo inteiro desacelera, como se todos estivessem descansando, recompondo-se da luta, do trabalho, da dor ou até da alegria desmedida de um sábado à noite.

Eu levanto devagar, pé por pé. Quero manter o silêncio da casa.

Vou até a janela, fito o horizonte. Tudo está parado. Respiro o ar surpreendentemente frio para um janeiro no hemisfério sul.
Preciso de um café.

Vou até a cozinha e começo a preparar, lentamente, café, leite, pão, ovos, suco, bandeja. Ouço as notícias do dia pelos fones de ouvido — ainda quero preservar o silêncio.

Guardo o que precisa voltar para a geladeira e, pé por pé, levo o café na cama para a mamãe, que agora, com a claridade irrompendo pelo abrir das cortinas, se espicha na cama com um sorriso satisfeito.

Olho para o teu berço.
Ainda não estás ali.

Por pouco tempo.

Faltam 55 dias para que não haja mais silêncio nas manhãs de domingo.

E eu não vejo a hora.

Te amo.

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