41 dias - Mais uma de mãos

 


Meu filho,

As mãos. Já escrevi sobre mãos. Observe-as sempre.

Tuas mãos, meu filho, ainda são apenas imaginação — mas imagino que, quando nasceres, serão pequenininhas, um pouco enrugadas, com dedos e unhas minúsculos. Mãos de recém-nascido: inconfundíveis.

Pelas mãos, reconhecemos muito de uma pessoa.
Um mecânico, um agricultor, um médico — cada um carrega um par distinto.
Há mãos calejadas, mãos macias.
Mãos eternamente sujas.
Mãos obrigatoriamente limpas.

As mãos também revelam saúde. É beliscando o dorso da mão que os médicos avaliam hidratação. Há mãos trêmulas, mãos amareladas, unhas arroxeadas. As mãos falam.

E falando em mãos… as mulheres, meu filho, são vaidosas. Muitas acreditam — talvez equivocadamente — que parte de seu valor está na aparência. Independentemente do amor que incondicional que as envolve, elas investem em roupas, maquiagens, cremes; mais tarde, cirurgias, tratamentos, academia, médicos. Começam cedo. Talvez por isso que, no geral, vivam mais que nós.

Mas há uma superestimação da aparência.

E a pior e verdadeiramente imbatível força que age sobre a aparência, no final das contas, é o tempo!

Ah o tempo, aquela dimensão que falávamos que nos coloca sempre em marcha avante.

Mas é curioso, algumas pessoas ficam ainda mais bonitas com o tempo, como a tua mamãe; outras vão ajustando-se, melhorando-se, corrigindo-se.

A tua vovó Maris é uma dessas mulheres que cuida da aparência mais do que precisaria. E vale a pena: apesar de ter três filhos com mais de quarenta anos, quem parece ter quarenta é ela.

Ela tem um pouquinho mais (aqui entre nós).
Mas não parece — exceto pelas mãos.

Hoje à noite, observei cuidadosamente as mãos dela, e me dei conta de que o tempo passa também para as mães.
Ainda bem que devagar.
A alternativa à velhice, meu filho, é infinitamente pior.

A vovó Valda, a mãe da tua mamãe, não teve mãos marcadas pelo tempo. Não precisou cuidar delas. Ela nos deixou muito antes do que conseguimos compreender — quando a mamãe era mais nova que o mano Brian é hoje. Imagino o quanto estaria feliz esperando pelo netinho mais novo.

Enquanto tu não vinhas, meu filho, me dei conta de que eu preciso aproveitar mais a minha mãe — assim como tu, um dia, precisarás aproveitar a tua.

Te amo!

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